Outubro de 2006. Aos 27 anos de idade eu resolvi que já era hora de pensar em ser mãe. Fiz uma série de exames de rotina, cujos resultados eram todos normais, tomei vacina para rubéola e joguei a cartela de anticoncepcionais no lixo. Um ano depois, nada tinha acontecido. Esperei mais seis meses e procurei a médica que me acompanhava. Repeti os exames que mediam as taxas hormonais, fiz uma ecografia transvaginal e exames que mediam a prolactina e a progesterona. Meu marido, por sua vez, fez um espermograma. Tudo normal com a gente. Ela me disse para esperar mais seis meses. Julho de 2008. Um ano nove meses de tentativas e eu estava atrasada. Segurei a ansiedade e resolvi esperar pelo menos uns 5 dias de atraso para fazer um exame laboratorial. Comprei um exame de farmácia e não consegui entender o resultado, que incompetência! No 5o dia de atraso fui logo cedo ao laboratório, o resultado sairia a partir das 13h. No meio da manhã eu sangrei. Que frustração. Mas já que não era gravidez, tive medo que fosse algum problema de saúde. A médica me pediu que fizesse uma ecografia e que fosse no mesmo dia com os dois exames ao consultório dela. Depois de uma espera de 2 HORAS, ela me disse que eu tinha ficado grávida sim, porém por algum motivo que só Deus sabe, ela não evoluiu e o meu corpo sabiamente “se livrou” do problema. Diante de mim e do meu marido, incrédulos, boquiabertos e tristes, ela explicou que essa era uma situação muito comum e que geralmente as mulheres nem percebem o que houve. Não foi preciso tomar nenhuma medida, levei a vida normalmente, mas fiquei de retornar dentro de mais seis meses. Por volta do mês de dezembro eu retornei para fazer o preventivo e repeti pela 3ª vez os exames que mostrariam se eu estava ovulando. Tudo normal. Maio de 2009. Completei dois anos e sete meses de tentativas, voltei ao consultório totalmente impaciente com aquela situação e cansada de fazer os mesmos exames que não denunciavam nenhum problema. Ela me pediu que refizesse o exame para medir os níveis de progesterona e na maior cara de pau disse que não sabia mais o que investigar em mim. Saí do consultório chateada e jurando nunca mais por os pés lá. Em julho procurei outra profissional em busca de uma segunda opinião. Na primeira consulta, depois de uma longa explicação de como funciona o corpo da mulher e que existem vários itens que devem ser estudados diante da possibilidade de infertilidade, ela disse que já era hora de eu procurar um especialista em fertilização. Me indicou o Dr. Marcelo, que eu só consegui visitar em setembro. Exatamente no dia em que fui ao Dr. Marcelo pela primeira vez, com o marido à tiracolo, eu estava atrasada. Conversamos muito, ele me explicou como é que se faz toda a investigação de um caso de infertilidade. Primeiramente se verificam os hormônios (coisa que eu vinha fazendo com certa freqüência), depois se verifica o sêmen, em seguida, se verifica a acidez da vagina e finalmente se verificam as trompas e o endométrio. Muitos desses passos eu já tinha concluído e eles podiam ser descartados. Inclusive o lance da acidez e de uma possível obstrução nas trompas visto que eu tinha conseguido engravidar naquela ocasião. O último fator a se considerar era a endometriose. Apesar de eu ser assintomática, ela poderia existir e poderia ser justamente o que estava me impedindo de engravidar. Saí do consultório com uma lista imensa de exames e com a decisão de me submeter a uma laparoscopia, caso eu não estivesse grávida. Como eu já tinha passado por aquela situação delicada há mais de um ano atrás, resolvi esperar pelo menos uma semana para então fazer um Beta-HCG. Setembro de 2009. Quase três anos depois eu estava com a confirmação da minha gravidez nas mãos! Contamos para todo mundo, ficamos bobos por termos finalmente conseguido e, o melhor, sem laparoscopia! Marquei a primeira ecografia para o dia 17 de setembro, segundo as contas médicas, eu estava com 5 semanas de gestação. Apesar de estar feliz, eu estava nervosa, queria ter certeza de que estava tudo certo com o bebê, intuição ou medo normal de uma mãe de primeira viagem. Durante o exame, o médico foi muito objetivo e direto, me disse que eu apresentava todas as características de uma gestação anembrionária, ou seja, uma gestação em que o embrião não se formou e não existe. E com toda a “delicadeza” do mundo me disse que era para repetir o exame dentro de 15 dias para ter certeza do diagnóstico, mas eu deveria me preparar para o pior. Saí do local do exame arrasada, sentei num banco de praça e chorei copiosamente. Procurei o Dr. Marcelo e a outra médica que o indicou, ambos me pediram calma e disseram que não tinha muito o que fazer nesse período, somente esperar e repetir o exame dentro de duas semanas. Segundo eles, essa é uma situação muito normal na primeira gravidez, é um acidente genético. Mais uma vez, sabe se lá por que, durente a divisão celular, algo errado aconteceu e a natureza sabiamente interrompe o problema. Uma semana depois a natureza realmente agiu e sofri um aborto espontâneo. Passado o medo, a dor, a tristeza e a frustração, estou me preparando para começar tudo de novo. Infelizmente, como dizem por aí, desgraça pouca é bobagem e menos de 15 dias depois de ter perdido o bebê, eu perdi também o meu emprego. Não é pra ficar bege? Mais uma vez os planos tiveram que ser alterados, mas continuo seguindo em frente.