Saudades

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Hoje se completam 9 dias que marido está de férias viajando. E eu estou sentindo uma saudade tão grande…

Quando nós nos conhecemos, ambos vinhamos de relacionamentos complicados, cheios de ciúmes, sem compreensão, sem companheirismo. Uma das primeiras regras estabelecidas no nosso “contrato pessoal e intransferível” de casório é que nós não deixaríamos de ser dois, ou seja, era importante manter a nossa individualidade. É saudável ficar um pouco longe, ter atividades que cada um faz sozinho, o futebolzinho da semana só pra ele, o  boteco com as amigas só pra mim. Não me imagino vivendo de outra forma, construímos o nosso relacionamento sobre essa verdade e temos sido felizes assim.

E durante muito tempo não conseguimos bater as agendas das férias, outra coisa que não é assim uma coisa tão necessária para nós dois. Inclusive acho até gostoso ficar um pouco sozinha com os meus gatos e meus pensamentos, mudar a rotina, fugir do cotidiano. Teve um ano que a coisa foi até um pouco além, a coisa estava meio desgastada, a rotina consumindo comigo e com os meus sentimentos. Foi imperativo dar um tempo de 15 dias para renovar o nosso astral e o nosso romance. Quem nunca passou por um momento assim no casamento que atire a primeira pedra.

Mas dessa vez estou sentindo tudo diferente… Estou incomodada, não estou vendo muito sentido nas coisas do dia a dia, tá faltando alguma coisa. E fiquei surpresa com isso, pois desde o início sempre lidei muito bem com o afastamento do escolhido marido e dessa vez a coisa não tá fluindo não. É como se alguma coisa estivesse sempre faltando… Quando penso em sair, me dá uma sensação vazia de querer que ele estivesse comigo para fazer o que fazemos sempre, tomar café na padaria, sempre correndo, antes de ir pro trabalho,  resolver jantar fora e ficar um tempão discutindo em que lugar a gente vai pra terminar sempre no mesmo lugar: churrascaria.

Ter mais alguém que acha graça de tudo o que esses bichanos fazem, ver os programas toscos de TV juntos torcendo para alguém ficar no American Idol ou alguém sair do Top Chef…

Enfim, tô com uma saudade imensa do meu bichinho. Amore, volta logo!

O meu sobrinho

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O Guilherme foi a primeira criança que eu tive contato mais próximo nessa vida. Quando ele nasceu, eu tinha uns 13 anos e ele foi o primeiro neto, o primeiro sobrinho, o primeiro tudo. Minha irmã teve uma gravidez complicada, não tinha planejado engravidar tão cedo, mais ou menos 1 mês depois do casamento, imaginem! Ela mal teve tempo para se habituar e curtir a vida de casada e já estava grávida!

Ele nasceu miúdo, no dia 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo, numa maternidade na Avenida Paulista. Mais paulistano impossível! Tão cabeludinho, tão cheiroso… Me lembro de ter ido visitá-los na maternidade e quando eu o segurei no colo, pensei que eu ia amar demais aquele bebê. E olha que eu era uma adolescente chatíssima, não tinha nenhuma afinidade com crianças!

Ele foi uma criança fofa, inteligente, meigo demais, sempre grudado na gente, abraçando, beijando, agarrando… Minha irmã tinha uma preocupação enorme com a criação dele, ela queria que ele fosse um homem preparado para o mundo, com opiniões formadas, um bom profissional, bom amigo, o melhor que ela pudesse fazer.  Quando ele tinha uns 14 anos, foi diagnosticado com DDA (déficit de atenção) e ela travou uma batalha enorme com escolas, psicopedagogas, neurologistas…

A minha relação com ele sempre foi especial. Como eu sou a tia mais nova, eu estava sempre disponível para ajudar com a lição de casa, trabalhos da escola, levar ao cinema e a forma que eu encontrei de estar sempre perto dele foi falar a língua dele. E ele confiava em mim, me contava histórias, o que aprontava por aí… Coisas que ele não contaria para a mãe dele. Graças a Deus!

Hoje ele é um homem feito com 19 anos, estuda Gastronomia na faculdade, mora sozinho lá em Buenos Aires. Mas quando ele era pequeno, minha irmã dizia que se alguma coisa acontecesse com ela, era pra eu cuidar dele. Que responsa, né? Ela achava que eu seria capaz de educá-lo da mesma maneira que ela pretendia. O dia que o meu coração se derreteu foi quando ele me disse que eu era uma segunda mãe pra ele. Eu quase chorei na frente desse menino lindo!

E ele é lindo, viu. Não é porque é meu sobrinho, não.

Chegadas e partidas

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Marido meu está de férias. Que beleza! Fica de pernas pro ar o dia inteiro, que inveja. Essa semana ele viaja, vai passar uns dias com o irmão dele em Floripa.

Minha irmã está voltando pro Brasil depois de 2 ano morando em Buenos Aires a trabalho. O projeto dela se encerrou e está voltando de mala e cuia. Primeira parada será a minha casa por mais ou menos 2 ou 3 semanas até conseguir um lugar para ela definitivamente.

Uns vão e outros chegam.

O blog do meu filho

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No curso de pretendentes à adoção, uma das dicas que nos deram é que a gente comprasse um caderno e escrevesse para o nosso filho. Esse caderno funcionaria como uma maneira de contar à ele no futuro como foi o processo de adoção e como foi a espera pela sua chegada. Resolvemos montar esse “caderno”, mas em formato de historinha e também incluir alguns textos pessoais para que ele possa ler quanto tiver idade suficiente. Eu já comecei, devagarzinho, a contar a nossa história que ainda está só começando.

Nós também tínhamos pensado em montar um blog. Aliás essa foi a primeira ideia, eu não queria montar o caderno. Mas as dicas que algumas pessoas me deram, inclusive aqui no meu blog, me ajudaram a decidir pelos dois: o blog e o caderno. Esse fim de semana então eu montei o blog Para o meu filho colher amor, que eu pretendo que seja escrito a 4 mãos, com a ajuda do marido. Ele vai dizer que não é bom com as palavras e mais uma série de invencionices para fugir da responsa, mas o que importa é que de alguma forma ele se expresse. Afinal, queremos que o nosso filho leia no futuro e saiba como nos sentimos e como nós o desejamos!

Família e folga

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Essa foi a minha semaninha de folga no trabalho e já acabou… que pena! Gostaria de ficar mais  uma semana em casa, mas não vai dar. Tenho que pensar que tem gente (meu marido, por exemplo) que não parou de trabalhar nem um dia e eu devo me sentir feliz.

Chegamos em casa da viagem ao RS e meu apartamento estava virado num gatil abandonado. Troquei a ração dos bichanos e o Bozó solta pelos aos tufos. Me senti num daqueles filmes de faroeste antigos em que o vento sopra e vai levando aqueles arbustos secos enormes. Segunda-feira foi “dia de Maria” para mim: lava, varre, esfrega e escova o bichano até tirar cada vez mais tufos de pelos do corpitcho dele. Juro que me assustei com a quantidade de pelo que tá caindo, trocar a ração pra ontem!

Na 3a feira minha irmã e sobrinho mais velhos chegaram! Eu estava super ansiosa para vê-los e matar a saudade! Quarta-feira foi dia de me dedicar a eles, acordamos tarde, trocamos presentes de natal atrasados, fomos ao Mercado Municipal de Curitiba, compramos frutas mil e almoçamos o tradicional sanduíche de mortadela. Não tão tradicional como o de São Paulo, diga-se de passagem, mas estava uma delícia. Depois fomos ao salão fazer as unhas e à noite saímos com alguns amigos para jantar no Madero, the best burger in the world. Delícia! Amo demais essa irmã e esse sobrinho.

Ontem decidimos passar a virada de ano em nossa residência, vamos fazer um jantarzinho, abrir uma champanhota e brindar ao novo ano que chega só nós dois. Viajar está fora de cogitação, pois ambos trabalhamos logo cedo no dia 02 de janeiro e estou sem a mínima vontade de passar 20 horas no trânsito no domingo. E a maioria dos nossos amigos estará com seus familiares ou fora da cidade. E é isso, adeus ano velho!

Irmã e sobrinho queridos

Então é Natal!

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Então é quase Natal. E pela primeira vez em alguns anos eu estou um pouco mais animada para esse momento festivo, pois decidimos passar o feriado com a família do marido no Rio Grande do Sul. Já faz uns 3 anos que ele não vê a mãe dele e eu insisti um pouquinho para que fôssemos pra lá, afinal mãe é mãe. Marido então combinou com o irmão dele que mora em Floripa e vamos nos encontrar para chegar todos juntos na 5a feira de manhã.

Marido me falou para não ficar animada demais, pois família é sempre família e pode ser que o encontro seja um porre. Mas eu tenho para mim que já vai ser infinitamente melhor do que se eu fosse pra São Paulo ficar entre os meus entes queridos. Primeiro que a minha sogra é um amor de pessoa, queridíssima e animada. Aposto que a ceia vai estar deliciosa e que ela vai se desdobrar em mil para nos agradar. E depois ela mora na praia! Marido me disse que não é uma das praias mais lindas do RS, mas para essa pessoa aqui, só o fato de pisar na areia e sentir o cheiro do mar já me faz mega feliz. E por último, vamos fazer algo diferente!! Pronto, já vai ser um natal supimpa.

*

Esses dias me lembrei de uma passagem (mais uma) natalina da minha família buscapé… Quando minha irmã ainda morava aqui em Curitiba, nós conseguimos convencer meu pai a vir pra cá para passar as festas com a gente. Daí vieram pai, irmã do meio e os dois sobrinhos. E ficamos felizes! E decidimos que a ceia seria na minha casa, pois na época minha irmã morava num “apertamento” e o meu “apertamento” era um pouquinho maior que o dela. E eu fiquei mega blaster feliz! E daí montei mesa com ceia, com pinheirinho e tudo o que estava ao meu alcance para a primeira ceia da minha vida na minha própria casa! E quando abri a porta para as minhas irmãs e sobrinhos… cadê meu pai???? Minhas irmãs me olharam com aquela cara de cachorrinho caído da mudança e disseram que ele não estava se sentindo bem, tinha pegado um resfriado por causa do ar condicionado do ônibus de SP até aqui, tomou um remédio e resolveu ir dormir. Gente… vocês não imaginam a minha frustração. Acho que agora ficou ainda mais claro por que eu não faço muita questão de ir pra lá no natal, né…

Esgotada

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Comecei a semana ruim, com os nervos alterados por conta de pequenos problemas familiares. Eu me considero uma pessoa muito objetiva e sempre procurei ficar meio à margem de certas coisas, sabe. Eu costumava dizer que de problemas já bastam os meus, não faz nenhum sentido gastar meu tutano com os problemas alheios. Pode parecer uma postura egoísta, mas isso não significa que eu me recusava a prestar auxílio a quem me pedisse. Na verdade eu só deixava claro que eu ia fazer o que estivesse ao meu alcance. De verdade. Ou seja, eu não ia desmarcar nada e nem sair do meu caminho pra ajudar ninguém. Se eu pudesse ajudar sem alterar o meu dia a dia ou a minha programação, beleza, pode contar comigo. Caso contrário, desculpe mas dessa vez não vai dar.

Mas acho que eu tenho passado por um processo muito louco que mudou a minha forma de encarar a vida. E pela primeira vez percebi que não tenho estrutura pra certas coisas não. Eu venho me preparando psicologicamente para a maternidade há algum tempo e toda essa relação entre pais e filhos, como educar, como ser uma mãe consciente e como preparar uma criaturinha para esse mundão de meu Deus fazem parte das minhas preocupações e me abalam quando vejo que a coisa tá desandando.

Além disso eu tenho sentido que estou em falta com muita gente. Eu poderia ser mais próxima dos meus amigos, dar mais atenção para a minha família e mesmo assim reservar algumas horas para o meu merecido descanso. Mas não consigo e muitas vezes não quero. E me culpo.

Então que alguns acontecidos me abalaram psicologicamente. E a semana começou toda errada pra mim. Se eu pudesse, começaria a Ioga hoje mesmo.

Família, família

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Ontem meu dia acabou num nível alto de estresse. Era aniversário do meu sobrinho que mora em SP e eu liguei pra casa da minha irmã para pegar o telefone dele e dar um salve. Já faz uns meses que ele está morando com o pai por conta de comportamento indevido, se é que podemos dizer assim…

Acho que liguei bem no auge de mais um problema familiar, minha irmã aos prantos no telefone, cansada de tudo e de todos e eu, que moro a 4ookm de distância, não sabia o que dizer ou o que fazer. Depois de acalmá-la e de falar com o Vini para dar parabéns (!!!), conversei com o marido que, por estar de fora da situação teve uma visão mais racional e passei a noite de domingo em reunião familiar pelo skype.

Família é assim. A gente tá longe, mas a gente se ajuda. O drama está longe de acabar, mas vamos ver o que o futuro nos reserva.

Família

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Com a chegada do natal eu costumo ficar um pouco mais emotiva e sertir mais falta da minha família. Antes nós éramos tantos, barulhentos, briguentos e chegávamos lá na minha casa sempre carregando um “agregado”. Depois que a minha mãe se foi, viramos poucos, silenciosos e tristes. Agora que a minha irmã está morando fora do Brasil, me tornei uma só. Eu e o marido.

Como eu já disse antes aqui, eu aprendi que as coisas mudam e que não faz mal nenhum a gente se acostumar a isso. E que não é preciso estar um ao lado do outro para que os laços de família e de amor sejam festejados. Finalmente compreendi que pais são seres humanos também, são pessoas que sentem e erram e que, acima de tudo, possuem vida própria. Não, eles não decidiram ter filhos unicamente para viver em função deles. Agora que pretendo ser mãe, entendo muito bem como é.

A gente tem uma mania de esperar dos outros as atitudes que achamos mais legais e convenientes para nós. Mas cada um é um e temos que aceitar as opiniões e as limitações dos demais. Eu finalmente entendi as limitações do meu pai. E das minhas irmãs. E entendi que não deixaremos de ser uma família e de cuidar uns dos outros porque eles não agem como eu gostaria que agissem. Eles são parte de mim, são o que sou e sempre vão ser. Feliz Natal, familia!!! Amo vocês.

A mesa

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Há um bom tempo atrás, quase um ano, eu acho, me apaixonei por uma mesa para computador que eu vi no supermercado. Ela tinha exatamente o tamanho que eu queria e tinha uma bancada giratória que permitia mudar o formato do móvel, além de caber tudo o que hoje existe na atual mesa do meu computador. É preciso explicar que a atual mesa do meu computador foi comprada numa loja de usados há 6 anos atrás pelos meus sogros quando vieram nos visitar e deram de cara com um apartamento mais vazio que geladeira em fim de mês. Na época que eu vi a tal mesa no supermercado, não dava pra comprar e fui embora fazendo beicinho.

Outro dia eu encontrei a tal mesinha num site e não pensei duas vezes, comprei! Daí que a tal da loja virtual demorou 15 dias corridos pra entregar o móvel. Que belo conceito de e-commerce, hein. E o marido já foi logo abrindo a caixa, mexendo nas peças e encheu a boca pra falar: “pode deixar que eu monto”. Tive lá minhas dúvidas, mas não quis contrariá-lo nesse momento em que ele anda tão sensível. Separou as peças, abriu o manual e começamos (sim, eu tive que ajudar) a juntar A com B com C com D. Lá pelas tantas nos demos conta de que não era assim tão fácil quanto ele pensou. Resultado? Enfiamos todas as peças num canto e hoje liguei pro montador. Suspiro.

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