Parabéns para a Bibi que está gravidíssima! E nem precisou enfrentar outra FIV com seus altos e baixos hormonais. O que umas belas férias não fazem, hein. Que vocês dois tenham muita saúde!
Viver o luto da infertilidade
5 de novembro de 2011
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Um dos assuntos que foi abordado no curso preparatório para adoção e que eu já sei que é uma das perguntas que será feita na entrevista é sobre o luto da infertilidade. O que é isso? É finalmente entender que não será possível passar por uma gestação, vivenciar o luto e estar preparada para uma nova possibilidade. Eu vivenciei todas essas etapas.
A grande maioria das pessoas não faz ideia de como é desgastante para uma mulher e para o casal enfrentar problemas de fertilidade. Muita gente deve achar que é exagero, que é só relaxar, deixar o assunto de lado e uma hora ou outra a coisa vai se resolver sozinha. Ninguém imagina o que é passar anos esperando o milagre acontecer ciclo a ciclo. A cada menstruação que vem (e isso acontece TODOS os meses, minha gente) você se sentir fracassada, indignada e sem entender por que as coisas são tão difíceis pra você. A peregrinação por mil médicos diferentes, mil tratamentos diferentes, exames que te viram do avesso e cada especialista diz uma coisa diferente sobre você. E encher o seu corpo de hormônios sem garantia nenhuma que vai dar resultado, a cabeça que não pára um segundo de pensar, o sexo que vira uma obrigação com hora marcada, o relacionamento que fica em segundo plano e a frustração ali, grudada em mim dia após dia.
Eu me olhava no espelho e via uma sombra de mim mesma nos últimos dois anos. Um peso imenso sobre mim, uma tristeza sem fim, uma sensação de fracasso sem igual. E como explicar isso para quem nos rodeia? Não dá. Tem gente que respeita o seu momento. Não te entende, isso é fato. Mas respeita, sabe que é um processo difícil e a gente vai seguindo a vida. Com outras pessoas não dá nem pra entrar no assunto ou os comentários desnecessários só vão nos fazer ficar pior. E começam cobranças… por que você está diferente? Por que você mudou? Não sai mais, não vem mais aqui… E teve um momento que eu simplesmente não tinha mais desculpas para dar. Porque eu não quero. Pronto acabou. “Amigos” que ficam pelo meio do caminho da vida.
Eu passei quase 5 anos da minha vida com as minhas energias direcionadas para o projeto de engravidar e ter um filho. Nos primeiros dois anos era aquela coisa relax, deixa acontecer, não vou ficar programando nada, tirando temperatura, as coisas acontecem naturalmente, certo? Depois passei um ano tentando descobrir o que acontecia de errado, exames, exames, exames, cirurgia para endometriose. Eu achei que a cirurgia era um tratamento definitivo, que eu estaria “curada” e que era só esperar o positivo aparecer. Mas quem disse que ia ser fácil? E ninguém tem certeza de nada, ouvi um médico dizer que eu dificilmente engravidaria naturalmente. E esse ano, pimba! Minha segunda gravidez sem embrião. Segundo aborto espontâneo, segunda internação para fazer curetagem. Dessa vez eu saí mais forte, eu não precisei colar os caquinhos. E isso aconteceu porque eu já estava no processo de luto da infertilidade.
E esse ano o verdadeiro milagre aconteceu. Eu finalmente entendi que ter um filho é uma coisa que deve trazer alegria, deve ser gostoso de vivenciar, planejar… E eu estava vivendo um sofrimento sem igual para ter um filho. Era tristeza sem fim, angústia, estresse, discussão com marido, indignação. Só sentimentos ruins. Finalmente olhamos bem fundo nos olhos um do outro e dissemos CHEGA. Vamos ser pais, podemos ser pais de uma outra maneira. Vamos investir na adoção, já era uma possibilidade sendo amadurecida, só faltava eu sentir que tinha esgotado todas as possibilidades e que era hora de virar a página. E eu digo que foi o verdadeiro milagre porque eu renasci. O meu relacionamento renasceu. Fiquei leve, tirei aquele peso da minha vida, nada mais de médicos, exames, remédios. Nada mais de ficar ansiosa todo santo mês, nada mais de sexo programado. Aliás, a primeira vez que transei com marido depois que a decisão foi tomada, foi de uma liberdade incrível!
O que eu estou escrevendo aqui é um desabafo, é a forma como eu lidei com o problema. Não quero dizer a ninguém que é a maneira correta de agir, que todas devem desistir de engravidar e investir na adoção. Comigo o processo funcionou assim e a questão da adoção nunca foi um tabu. Pra fazer a verdade, se dependesse do meu marido, teríamos entrado com a papelada há pelo menos uns dois anos atrás, logo depois que eu perdi a primeira gravidez. Pena que eu não estava preparada na época, pois estaria mais perto de ter o meu filho comigo. Mas a vida é assim, a gente não consegue programar tudo e cada um tem o seu tempo. Só posso dizer que é preciso em algum momento viver esse luto e que cada uma vai encontrar o seu caminho.
Eu queria
4 de setembro de 2011
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Esses dias marido ralhou comigo. Ele disse que não gosta quando eu falo coisas do tipo “todo mundo engravida, menos eu” ou então “como que pode uma pessoa que não tem nem o que comer, tem meia dúzia de dentes na boca e tem filhos e eu não consigo”. Eu disse a ele que é o que eu sinto e que ele precisa saber o que se passa dentro de mim. E que passei tempo demais guardando todo tipo de sentimentos a respeito desse assunto e isso nunca me fez bem. Acho que o fato de eu colocar esses sentimentos em palavras significa que eu estou lidando muito melhor com a infertilidade. Ele acha que não me faz bem falar essas coisas, que me faz sofrer. Eu acho que ele não entende nada mesmo. E que ele não gosta porque não faz bem a ele. Talvez a coisa não esteja bem resolvida para ele.
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Eu já falei muito aqui sobre como é chato quando aquelas pessoas sem-noção ficam perguntando por que eu ainda não tive filhos e querendo saber todos os detalhes do meu problema de infertilidade. Mas tem dias que tudo o que eu queria era alguém que me perguntasse como eu estou me sentindo ultimamente. Mas a pessoa tem que querer saber de verdade e tem que estar disposta a ouvir o que eu trago no meu coração. Parece que as pessoas têm medo de tocar no assunto e que isso possa me magoar. E tudo o que eu preciso em alguns momentos da vida é que alguém se interesse pelo que eu tenho sentido. Essa atitude de fingir que nada está acontecendo me passa uma solidão imensa.
Como é que se fala?
5 de agosto de 2011
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Esses dias fiquei pensando numa coisa complicada. A coisa mais comum do mundo é as pessoas perguntarem para casais sem filhos quando é que vocês vão resolver ter um. Sinceramente, nós passamos pouco por essa situação, pois moramos longe da família e temos poucos amigos assim tão indiscretos. Mas acontece! Principalmente quando eu encontro pessoas que eu tive contato lá no passado ou quando um ou outro ser mais indiscreto toca no assunto. Normal, eu sei.
Nessa longa caminhada tentando engravidar já tive todo tipo de sentimento quando me deparava com uma pergunta desse tipo. Já senti raiva, indignação, vergonha (é vergonha, sim!), diversos níveis diferentes de irritação, desconforto e hoje cheguei no ponto em que falo disso com maior tranquilidade. Não me dói dizer que não posso ter filhos naturalmente e que esse é o motivo de ainda não termos uma criança em casa. E falo numa boa sobre termos optado pela adoção. Tenho encontrado muita, mas muita gente que fica feliz e dá apoio à essa decisão do que o contrário.
Mas tem gente que é chata, né. E tem gente que é sem noção também. E essas pessoas querem saber o porquê, querem que você explique com todos os detalhes possíveis qual é o problema de fertilidade que você tem, duvida do que o médico te falou e ainda conta a história da prima do vizinho da tia que tinha tudo isso e muito mais, fez uma novena e engravidou. Com essas pessoas eu perco totalmente a paciência. E o duro é que a gente nunca sabe quem é do tipo A, ou seja, aquela pessoa que te escuta, fala “oh, que pena” , não entra em grandes detalhes, fica feliz pela opção em adotar e deseja sucesso. E quem é a aberração do tipo B, aquele que faz tudo aquilo que eu falei antes e pra arrematar ainda diz: “confia em Deus, eu ainda vou te ver grávida, você vai ver!”
Por isso ando pensando em estratégias para usar daqui pra frente quando eu me deparar com a famosa pergunta “E vocês, não pensam em ter filhos?” Ainda não achei nada que soe agradável e que coloque cada um no seu devido lugar. Quem tiver sugestões, eu aceito.
Vale a pena?
22 de julho de 2011
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Ontem tive uma conversa rápida com a minha irmã do meio pelo MSN. Ela está toda cheia de problemas, meu sobrinho está com um problema sério de visão e terá que fazer uma cirurgia. Em meio a tudo isso ela me perguntou como eu estou e falei pra ela das decisões que eu tomei e do caminho que vou seguir.
E ela me falou para não tomar nenhuma atitude no calor do momento, para pensar bem, pois ela ainda acredita que eu vou sim engravidar. Ai, gente, desculpa falar assim na lata, mas eu ODEIO escutar esse tipo de coisa. Eu sei que são palavras de apoio, de conforto e que, teoricamente, é pra eu receber isso de maneira positiva. Mas não é assim que eu me sinto. Quando eu escuto isso eu me sinto péssima! Eu fico chateada e tenho vontade de gritar porque a impressão que eu tenho é que a pessoa não escutou uma só palavra do que eu tenho dito até agora. Pior que ouvir isso é ouvir que a amiga da vizinha da cunhada engravidou aos 41 anos de idade e que eu ainda tenho tempo!!!
Nesse momento ninguém pensa em deixar pra lá os clichês que estamos acostumados a repetir (vai dar tudo certo, fica tranquila que com a sobrinha da minha cunhada foi assim e ela engravidou, etc, etc e etc) e tenta enxergar de verdade a pessoa que está a sua frente, as angústias dela e principalmente o histórico dela.
Não, eu não acho que vale qualquer coisa para ter um filho biológico que saia do meu ventre e tenha o meu DNA. Eu quero ter um filho, mas não fiz dessa vontade a minha razão de viver. Eu não estou disposta a ter um filho biológico e passar por todas as situações que envolvem a gravidez com mais de 40 anos. Eu acho sim que tem uma hora que o “bonde passa” e toda essa história perde o sentido. Sou uma pessoa horrível por causa disso? Não sei. Essas são as minhas condições, essa é a mãe que eu posso (e quero) ser, essa é a minha maneira de encarar a vida.
Baseado nisso é que eu tomo as decisões que considero mais acertadas para a minha vida e do marido que, graças a Deus, é o meu grande companheiro nessa estrada. Quando digo que não estou disposta a passar por mais um aborto espontâneo e que vou tomar medidas para que isso não aconteça, isso significa que não tenho mais estrutura psicológica para passar por isso. Tem gente que tenta 5, 6, 7 vezes? Tem sim! Um monte! Mas eu não tenho essa fibra e nem essa força de vontade. Tem gente que engravida aos 40, 42, 45 anos? Sim, outro dia eu até ouvi falar de uma mulher que engravidou aos 51 anos de idade. Quero isso pra mim??? De jeito nenhum.
E sabe por que é que eu não estou disposta a fazer todos esses “sacrifícios”? Porque eu posso ser mãe de outra maneira!!! Eu posso adotar uma (ou mais) criança e preencher o meu vazio, me tornar uma pessoa melhor, criar uma pessoinha preparada para o mundo. Quando digo que não estou disposta a tais sacrifícios eu não estou dizendo “PESSOAS EU NÃO QUERO MAIS TER FILHOS”. Como se isso fosse um grande crime também. Acredito que existem mulheres que não nasceram para a maternidade e elas não são aberrações por causa disso.
Eu vou ter filhos, mas vou seguir outro caminho para que isso aconteça. Um caminho que tem se mostrado mais ao meu alcance. É só isso. É simples, é legal. E eu repito pela enésima vez: depois de 5 anos nessa vida correndo atrás de todo e qualquer fiapo de esperança, nenhuma decisão é impensada. E tenho dito.
Pensamentos
6 de junho de 2011
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Hoje eu acordei com vontade de férias. Férias pra ficar quietinha no meu canto, pra dormir até mais tarde, pra me sentir mais útil comigo mesma. Acho que vou tentar agendar pro quanto antes, afinal são só 15 dias que eu tenho direito… Dou um pulinho em SP, vejo o meu pai, minha irmã, sobrinhos, um ou outro amigo mais chegado. Pego a grana pra resolver um pouco o nosso buraco financeiro e fico em casa cuidando dos bichanos. É só isso mesmo que eu quero fazer, nada mais.
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Semana passada numa das muitas conversas sobre gravidez que algumas pessoas do meu trabalho insistem em falar, eu escutei uma delas dizer que “tem certeza de que muitos casamentos acabam depois que a mulher tem filho por parto normal”. Eu não concordo com isso, mas não me manifestei. Quando você não tem filhos e nunca passou por uma gravidez completa, todo mundo questiona as suas opiniões. Caem matando em cima de você com comentários do tipo: “você vai ver quando acontecer com você…”, ” depois que você passar por isso, a gente conversa”. Eu me irrito muito com esses comentários, mas no fundo é verdade, eu não sei mesmo como que é, então é melhor eu guardar as minhas opiniões pra mim. Ou escrever no blog, afinal de contas é pra isso que ele serve, para ser democrático principalmente comigo mesma!
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Mesmo depois de ter conversado com o marido sobre aquela história da FIV, continuo indecisa. É que eu já tinha me conformado de verdade mesmo com o fato de não engravidar. Já estava conformada que eu não ia passar pelas etapas que um dia eu imaginei como, por exemplo, o momento de pegar o exame positivo, acompanhar a barriga crescendo, as reações das pessoas à minha volta, o paparico do marido, comprar todas as coisas que um bebê precisa, etc, etc, etc… Quando finalmente larguei mão da gravidez convencional para pensar e me dedicar à adoção, me veio na mente um monte de pontos positivos. Não passar pelo parto, pelos desconfortos que toda gravidez proporciona, pelo temido momento da chegada do bebê e toda aquela adaptação… Enfim, optar pela adoção de uma criança com 1 ou 2 anos me pouparia esses momentos. E eu já estava bem contente com essa situação. Pensei mesmo em não fazer nada, em seguir com o planejamento atual e deixar esse negócio de tratamento pra lá. Mas por outro lado, não é justo com o marido. Não que ele algum dia tenha me cobrado alguma coisa ou tenha manifestado alguma mágoa por não conseguir perpetuar o seu sangue. Pelo contrário, ele sempre foi muito mais interessado em ser pai, no sentido real da palavra, do que em manter vivo o seu DNA. Mas um dia desses eu me peguei observando o jeito dele, suas manias, o seu semblante e me veio na mente que eu nunca vou proporcionar para ele a possibilidade de ver a si mesmo no seu filho. Não é encanação minha, não é dramatização também. É uma realidade com a qual teremos que viver. Como eu disse antes, ele sempre me pareceu muito bem resolvido com isso e pra mim isso é essencial. Ai, ai, vamos ver onde é que isso tudo vai nos levar.
A difícil tarefa de ser mãe
2 de junho de 2011
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Olha só, quero deixar bem claro aqui que não é porque eu não sou mãe que eu não saiba das dificuldades dessa tarefa. Meu sobrinho mais velho nasceu quando eu tinha 13 pra 14 anos e eu troquei muita fralda, dei muito banho, coloquei pra dormir, dei remédio, papinha e já apliquei muito castigo. Quando meu sobrinho do meio nasceu, minha irmã era solteira e nós três (eu, irmã e sobrinho recém-nascido) dividíamos o mesmo quarto. Então não venha me dizer que eu não sei o que é criança chorar de madrugada porque eu sei sim!
É lógico que é muito diferente ser tia e ser mãe. Tia pode dar risadas das malcriações de vez em quando, pode dar sorvete escondido da mãe e, o mais importante, quando o bicho pega de verdade, a tia entrega a cria para a mãe e sai de fininho. Mas tia também se preocupa se o pequeno tá comendo direitinho, se a lição de casa tá feita, coloca curativo em machucado e conta história pra dormir. Principalmente tia que mora na mesma casa que a criança. E tenho dito!
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Cara, eu sei que ser mãe e trabalhar fora não é moleza, mas também não acho nem um pouco legal aquelas mulheres que só sabem focar no que é ruim. Sabe aquela uma que passou a noite acordada porque o filho estava com febre e chega no trabalho só falando disso e maldizendo a hora em que resolveu ser mãe? Faz parte do pacote, neguinha! Tivesse pensado nisso antes.
Eu penso em todas essas coisas. Principalmente quando eu acordo do meu cochilo depois do almoço no sábado à tarde. E quando acaricio os gatos dormindo enroladinhos no sofá. Tudo muda quando você tem um filho. T-U-D-O. A sua vida não é só sua, o seu dia não é só seu, o cineminha durante a semana e o jantar fora do fim de semana jamais serão os mesmos. E é aí que está a graça do negócio! Se fosse pra ficar tudo como está, pra quê tanto esforço?
Penso nas birras, nos choros, nas noites em claro, na conta da farmácia, no trabalho de casa que vai dobrar (isso se não triplicar), na impossibilidade de ficar na cama até a hora do almoço no domingo, na dura rotina de buscar e levar na escolinha… E também penso nos sorrisos, nos abraços, em tudo o que eu posso ensinar, nas conversas em todas as idades, nas roupinhas, pares de meias pequeninos, presente de dia das mães, puxões no rabo dos gatos e naquela foto bonita de família. O céu e o inferno andam sempre juntos e pra provar de um, tem que andar de vez em quando pelas terras do outro.
Considerando o considerável
2 de junho de 2011
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Tenho lido muito ultimamente, principalmente sobre adoção. Todos os grupos que procuramos e até mesmo o pessoal da vara da infância disse ao marido que é importante nos informarmos e pesquisarmos o máximo possível sobre o tema. E é o que tenho feito, já que estou com uma porção considerável de tempo livre no trabalho. Voltar para o curso de web que é bom, nada… Bom, um dia eu resolvo isso.
Com certeza o fato de eu estar considerando a possibilidade de voltar a fazer um tratamento para engravidar foi responsável por despertar essa corrida informativa. E está sendo reconfortante ler histórias de gente de verdade, pessoas reais que tiveram os mesmos sentimentos que eu estou tendo agora. Está sendo importante para mim, pois eu desmistifiquei algumas coisas e daqui pra frente, vou conseguir lidar melhor com essas coisas.
Primeiramente, sempre vai existir alguém que vai perguntar por que eu não tenho filhos ainda. Ah, inclusive, isso já aconteceu essa semana. E sempre vai ter alguém para torcer o nariz quando eu disser que estou me habilitando para adotar uma criança. No meu caso, ninguém contou nenhuma história pavorosa sobre filho adotado que matou os próprios pais ou coisa do gênero, mas sempre me perguntam por que eu não continuo tentando engravidar ou porque eu não procuro uma outra opinião médica. Ou seja, não desista, você vai conseguir! Cansa demais explicar o que é endometriose, pois incrivelmente, existe um monte de mulheres que não sabem se isso é de vestir ou de comer, acredite se quiser… E depois cansa mais ainda explicar que eu visitei muitos médicos e que já me submeti a um tratamento. E fica ainda mais difícil quando eu sou obrigada a dizer que não acho que valha a pena vender meu carro pra fazer FIV.
Num segundo momento, quando você diz que vai adotar uma criança, tem aqueles que enchem a cabeça da gente com mensagens desmotivadoras. Falam das dificuldades que são tantas, do amigo do parente do vizinho que está há 25 anos na fila e até hoje não conseguiu adotar, da burocracia absurda, de um conhecido qualquer que adotou de forma ilegal, aff… São tantos os comentários e, infelizmente, poucos deles são de encorajamento.
Enfim, o que eu percebi ao ler todas essas histórias compartilhadas em blogs de mulheres que estão espalhadas por todo esse país é que eu não sou a única. E que é difícil sim, mas quem foi que disse que viver seria fácil, não é verdade? Mas apesar de existir mesmo um monstro chamado burocracia, não é nada assim tão complicado de se fazer. Temos que juntar documentos pessoais, fotos, certidões e declarações de amigos como forma de mostrar ao Estado que somos pessoas idôneas, temos um mínimo de estrutura familiar e social para oferecer para uma criança e também somos limpinhos e cheirosos. Quando você vai comprar uma casa não é assim também? Por que seria diferente para adotar uma criança?
Li também alguns relatos de casais que em menos de um ano estavam com crianças em suas casas. E isso me encheu de esperança, afinal, é possível não envelhecer na fila! Ao mesmo tempo li muito a respeito da polêmica sobre a falta de compatibilidade entre a fila de crianças disponíveis e as exigências dos pais. O Estado diz que os casais são preconceituosos e procuram a criança ideal, recém-nascida, branca, olhos claros, geralmente menina e com saúde perfeita. O Estado rotula os casais de racistas e faz ações de comunicação incentivando a adoção tardia e a diminuição de pré-requisitos ao habilitar-se para adotar.
Eu confesso que fico em cima do muro. Concordo que existe muito preconceito na nossa sociedade em geral, e que adotar uma criança não é a mesma coisa que ir numa “loja de bebês” onde você escolhe o modelo que acha mais apropriado. Nesse caso, tem mais é que esperar mesmo e muito. Mas também acho que é preciso considerar o que os pais acham mais apropriado para a vida deles. Há quem não se sinta preparado para uma adoção tardia. Há ainda aqueles que consideram muito importante viver a experiência de ter um bebêzinho em casa, trocar fraldas, mamadeiras, etc e não consiga visualizar a chegada de um filho sem essas fases iniciais. E eles não são preconceituosos ou racistas por desejar isso. A esses casais só resta ter paciência e esperar a chegada do seu filho ideal.
Por outro lado, existe sim muita burocracia no nosso país e ela atravanca a situação de um jeito que ninguém conhece bem. Antes de eu ter maior contato com o mundo da adoção, eu era mais uma a dizer que os abrigos estão cheios de crianças procurando um lar e por um capricho do Estado, elas ficavam esquecidas nos lares temporários. Isso não é verdade. Os abrigos estão mesmo cheios de crianças, mas somente cerca de 20% delas está disponível para adoção, pois o Estado demora muito para regularizar a situação delas e disponibilizá-las para a fila de habilitados. Assim é muito fácil dizer que os casais da fila são uns monstros preconceituosos que recusam criancinhas pelo simples fato delas serem doentes e de pele negra. Cada macaco no seu galho, certo!
E agora, José?
31 de maio de 2011
Uncategorized gravidez, gravidez; médico; saúde Deixe um comentário
Esse fim de semana fiquei de papo no MSN com uma pessoa muito, muito legal que eu conheci há um tempo atrás naquela empresa do capeta. A Alyne é daquelas pessoas que não consegue se segurar diante de alguém em dificuldades. Ela sempre tem uma dica legal, um link superesclarecedor pra enviar e uma fé de dar gosto na paróquia. Se ela não sabe uma maneira de te ajudar, ela conhece alguém que sabe e na mesma hora já te descola o telefone e endereço da boa alma.
Eu acho essa a característica mais incrível da personalidade dela. Enfim, conversamos um tantão e ela me contando que está naquela fase que eu conheço bem que é tentar engravidar. Parou com os contraceptivos há poucos meses e está tentando dominar a ansiedade. E veio dividir a angústia justo comigo que sou macaca velha no assunto, mas nem por isso sei formúla mágica pra mulherada ficar zen nesse momento. Se eu soubesse tinha ficado menos louca e já tava com o rabo cheio de dinheiro.
Eis que ela me conta que a mãe dela trabalha numa clínica de fertilidade e o médico bam-bam-bam dono da clínica é chefe dessa especialidade no Hospital de Clínicas aqui em Curitiba. E ele faz tratamentos para fertilidade, inclusive FIV, gratuitamente pelo SUS. Ok, eu já sabia que o HC tinha um programa desse gênero, mas entrei em contato com eles duas vezes e sempre me disseram que não eles não estavam mais abrindo inscrições para novos casais.
A minha amiga prestativa até o último fio de cabelo, me colocou em contato com a mãe dela que me explicou exatamente o que é preciso fazer. Segundo ela, antigamente todo mundo que se consultava com o chefe dela, o médico bam-bam-bam especializado em trazer bebês ao mundo, já era encaminhado para o HC. De uns tempos pra cá isso mudou, agora é preciso que eu passe em consulta por um ginecologista da rede pública, no posto de saúde mais próximo da minha casa e ele deve me dar uma carta de encaminhamento para o médico bam-bam-bam lá no HC.
A média de espera para passar em consulta com o chefão é de mais ou menos 2 meses. E daí ele vai então dar andamento ao tratamento de forma gratuita, pelo SUS. E agora estou aqui sem saber direito o que fazer. Eu gostaria de tentar, principalmente se houver mesmo a possibilidade de fazer um tratamento tão complexo e caro como a FIV sem custos. Pensando bem, é um achado!! Mas por outro lado, tenho medo de entrar naquela loucura novamente, de passar pela frustração que eu passei se não der certo. E justo agora que eu estava trabalhando em mim todos esses sentimentos e focando as minhas energias na adoção.
Tenho queimado meus neurônios com essa história. Nem falei com o marido ainda. Acho que ele não vai me incentivar, pois eu quase enlouqueci e o matei na época em que estava fazendo indução de ovulação. Ele acha que eu não consigo lidar com essa parada, que eu não vou ser capaz de fazer esse tratamento sem criar expectativas e sem sofrer no final. Ah, e sem levá-lo a loucura.
E agora, José?
Eu entendo…
15 de maio de 2011
Uncategorized gravidez Deixe um comentário
Eu gosto de assistir ao programa A Liga que passa na Rede Bandeirantes às 3as feiras. É um programa jornalístico, mas com uma proposta diferente, os assuntos são polêmicos, porém levados a sério, sem sensacionalismo e com uma abordagem humana. Essa semana o assunto era VIDA. Isso mesmo, o significado de uma vida, a importância de uma vida para diferentes pessoas que queriam ter filhos. Tinha o casal prester a dar a luz e a mocinha encasquetou (assim como eu sempre acreditei) que parto normal seria melhor e amargou 26 horas de dor e desconforto até que o médico achou melhor cortar a barriga dela e tirar o bebê de lá. Ah, que frustração… Tinha a moça deficiente que adotou uma criança também deficiente. História comovente! E tinha o casal infértil que estava tentando engravidar.
Ó gente, antes do programa começar marido me perguntou se eu queria mesmo assistir, se não ia ter uma crise de nervos seguida de uma de choro. Essa falta de tato dele me cansa… Ok, é um assunto que me abala sim, é difícil, mas não é por isso que ele precisa ter medo de tocar no assunto dessa forma. Na verdade, eu só quero que ele saiba que eu não sou uma maluca que não consegue superar as coisas. E que eu preciso ÀS VEZES desabafar.
Enfim, durante o programa o repórter e a equipe de filmagem acompanharam todo o processo de fertilização in vitro do casal regado à muitas lágrimas da mocinha ora cheia de esperança e perturbada com toda a situação. Apesar de todos os desejos de sucesso, o tratamento não deu certo, o resultado do exame de sangue foi negativo e eles teriam que começar tudo de novo. E ali, naquele momento, assistindo aquela história daquela moça que teve bastante coragem de expor a sua luta para ter um filho e de como isso desestrutura uma mulher, eu tive compaixão por ela. Mas não é só compaixão gratuita, não. Eu senti tudo o que ela sentiu, cada angústia, cada momento de esperança e de DESesperança também. Mais uma vez é fácil dizer que só quem já passou por isso sabe como é. Ninguém mais sabe.
