Semana que vem terminam as minhas aulas na escola de inglês. O mais curioso é que das 9h às 18h eu estou de um lado da corda, eu sou a coordenadora, eu cobro os professores, eu xingo quem me deixa na mão, eu reclamo quando eles não podem assumir uma nova turma. Às segundas e quartas-feiras à noite eu estou do outro lado da corda, eu sou a professora e tenho que fazer o que a coordenação me pede.
Foi muito boa essa experiência como professora, me ajudou a conseguir meu atual emprego, me ajudou a desenvolver uma nova atividade e me fez perceber que eu tenho um pouquinho de talento escondido para dar aulas. Agradeço à rede de escolas em questão por ter me dado a oportunidade de ingressar nesse mundo. Mas ontem eu fiquei p da vida com a escola.
Primeiro que já não está mais compensando dar essas duas aulas por semana pra ganhar R$ 20. Não paga o meu deslocamento e nem a minha energia. Desde o primeiro dia de aula que eu notei que o grupo é bem apático e fraco com relação à gramática, pronúncia e estrutura da língua. Fiquei até surpresa por eles estarem no nível intermediário e terem tanta dificuldade em se expressar. Na segunda semana de aula, super motivada em ser uma boa professora, procurei a coordenação para expôr a dificuldade da turma, pedir um auxílio. A menina me disse que ela não tinha dado aula para níveis intermediários e que a melhor coisa que eu podia fazer era conversar com outro professor para trocar ideias e sugestões. Ah, tá… Para bom entendedor pingo é letra, minha gente. Já senti que a coisa era meio a Deus dará e resolvi levar a turma do meu jeito.
Eis que ontem, há exatamente uma semana do final das aulas, um rapaz da coordenação me chamou para conversar porque ele deu uma aula de substituição para a minha turma e percebeu que eles possuem muitas dificuldades. E me olhou com aquela cara de que EU era a culpada. Soltei o verbo. Falei que já pedi muitas e muitas vezes que eles se dediquem, que eles precisam fazer atividades extras, precisam ler em inglês, ver filmes em inglês, ir às aulas de conversação que a escola oferece, etc. Acho que fiz minha parte, agora falta o comprometimento deles, afinal de contas são todos adultos e sabem o que estão fazendo.
É muito complicado falar disso. Por um lado acho que falta profissionalismo das escolas de maneira geral. Eu sei que cada uma tem uma metodologia e uma maneira de ensinar. Algumas focam em conversação, outras em business English, outras usam tradução no método e tem aquelas que abominam essa ideia. Tudo bem, vai de cada aluno procurar o que melhor se adapta às suas necessidades e expectativas. Mas não vejo, de maneira geral, uma preocupação da parte deles se o aluno realmente está apresentando progresso. Quando eu estudei inglês, eu me lembro que, apesar de ser uma escola particular e super conceituada, o esquema era que nem na escola de ensino fundamental: tinha que tirar nota mínima para passar e se não passou, não muda de nível.
Lógico que além de ensinar, uma escola de inglês é um negócio e precisa de lucro e de alunos para sobreviver, mas na minha opinião é pior ter um bando de gente dizendo por aí que fez o curso completo e mesmo assim mal sabe se virar em outro idioma do que alguém reclamando que foi reprovado e vai ter que fazer o módulo novamente.
Saí da escola ontem à noite brava e chateada com a situação. Se eu já estava inclinada a largar essas aulas, agora ficou ainda maior essa vontade.
