Existem coisas que eu não consigo entender. Principalmente as reações de algumas pessoas. Eu estou tentando engravidar há mais de 3 anos. Comecei as tentativas na mesma época que uma amiga. Ela parou de tomar o anticoncepcional e no mês seguinte estava grávida e feliz. O tempo foi passando, o bebê dela nasceu e eu continuava tentando. O bebê dela completou 1 ano, depois 2 anos e eu ainda estava tentando. Aí comecei a desabafar com ela, falar das minhas angústias, de todas as medidas que a minha médica estava tomando e só ouvia o mesmo conselho: “relaxa, tem que deixar acontecer, não fica neurótica e nem procurando problema onde não existe, a hora que você relaxar vai acontecer.” Ok, tudo isso era muito bonito, mas em muitos casos as mulheres têm problemas físicos que as impedem de engravidar e se esse fosse o meu problema, não ia adiantar nada ficar “relaxando”. Eu podia relaxar por uma vida inteira que não ia dar certo. Ou seja, esse foi o conselho mais sem noção que eu já recebi na minha vida. E ouvir isso me deixava ainda mais nervosa porque dava uma impressão de que ela estava tão bem resolvida com a sua vidinha perfeita que não dava a devida atenção ao meu problema. O dia que eu contei para ela que a médica tinha pedido que o marido fizesse um espermograma, ela foi contra e mais uma vez disse “relaxa”. Todas as vezes que eu dizia que ia fazer um novo exame, ela dizia “relaxa”. Até que um dia a cunhada dela engravidou. Milagrosamente. A família toda sabia que a moça não podia ter filhos e estava beirando os 40 anos e de repente lá está ela, gravidíssima. Bom, essa notícia foi usada levianamente comigo. A minha amiga dizia: “tá vendo, quer exemplo melhor do que esse? Tem que dar tempo ao tempo, na hora certa ela engravidou e pensava que nunca poderia ter filhos. Com você vai ser igual!” Aquilo me corroeu por dentro. E quando eu procurei o especialista em fertilização e falei para ela que existia uma possibilidade de que eu tivesse endometriose e que seria preciso operar, pois esse podia ser o motivo pelo qual eu não conseguia engravidar, ela vira pra mim e diz: “Pois é, a minha cunhada operou disso e engravidou depois.” PQP! O que vc faz com uma pessoa dessas? Dá vontade de falar mil palavrões, dar uns tapas bem dados e depois sair de perto.
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Imposto de Renda. Taí uma coisa difícil de entender. Por que o governo “merece” receber imposto sobre o dinheiro que eu ganho honestamente vendendo a minha mão de obra? Já não basta o desconto do INSS, os impostos sobre cada produto industrializado que eu consumo, as taxas de juros que o banco me cobra ao financiar o meu apartamento e o meu carro, o imposto imbutido na minha conta de luz, de água e de telefone?
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Programas vespertinos cujo objetivo é “esclarecer casos de família”. Por que um profissional resolve colocar a sua cara num programa desse tipo? E, pior, se está na grade de programação é porque tem gente que assiste e se diverte vendo o povo brigar, se engalfinhar e escancarar a vida pessoal em rede nacional.
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Essa nova moda de camisetas com decote V para meninos. Pode ser que muita gente goste e ache até bonito de usar e de ver os rapazes usando, mas eu, particularmente, acho esquisito. Acho que camisetinha básica com decote V tem um quê de roupa feminina que não cai bem nos moçinhos. Pior ainda quando o decote é bem generoso e vai até o meio do peito deixando os pelos à mostra. Na minha opinião é de gosto duvidoso.
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Dinâmica de grupo. Já participei de várias e só fui aprovada em uma. Qual é a lógica daquilo? Diz a lenda que as atividades são elaboradas com o objetivo de descobrir quem tem perfil de liderança, quem sobressai aos demais, quem tem o perfil desejado pela empresa. Ah, tá. Ok, agora entendi. E existe alguma maneira menos subjetiva de se perceber isso?
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Unhas decoradas com flores, folhas e figuras geométricas. Contratos de todos os tipos. As taxas e pacotes cobrados pelos bancos. Quem gosta do Jim Carey e de todas as caretas infames que ele já fez nessa vida. Quem não gosta de gatos, mas gosta de poodles. Quem paga para assistir besteirol americano e filmes-catástrofe no cinema. Intelectualismo barato. Gente que gosta do frio. E mais um milhão de outras coisas que eu não me lembro agora.