Saldo do Natal

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Eu sabia que seria boa ideia passar o natal com a família do marido. Mas foi mega cansativo!! Foram 9 horas de viagem para ir e mais 9 (quase 10) pra voltar. Graças a Deus tudo correu bem no caminho, nenhum susto, chegamos bem tanto na ida quanto na volta. Peguei um solzinho na 5a e na 6a feira, o tempo estava divino! Muito calor e pouco sol, assim é melhor para uma pessoa quase transparente como eu. E no sábado, véspera de natal, o mundo se acabou em água. Chuva de manhã até de noite, tempo frio, cara de inverno. Bom, dormi praticamente o dia inteiro, uma delícia.

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Foi por muito pouco que eu quase consegui passar o ano sem participar de nenhum amigo secreto! Mas aos 45 do segundo tempo, os hóspedes da pousada da minha sogra inventaram de fazer a tal da brincadeira com a nossa participação sendo indispensável. Ok, era pra comprar uma lembrancinha, nada que passasse de R$ 10, algo simbólico, mas eu tenho que confessar que se eu já ODEIO amigo secreto com gente conhecida, imagina só com gente que eu acabei de conhecer. Sim, eu sou ranzinza, eu sei. No fim, sobrevivi.

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Dia desses eu li num blog (desculpe, não me lembro qual) uma frase que diz muito sobre mim: ser eu mesma é muito legal, mas no dia a dia é pouco prático. Eu sou anti-social e rabugenta e chata. Eu tenho qualidades também, viu. Mas ser anti-social é um sofrimento pra mim, pois eu adoraria ser uma pessoa simpática e me dar com todo mundo e me sentir em casa em qualquer lugar onde eu boto os pés. E é uma provação estar em um ambiente novo, pois geralmente eu sou “low profile” demais à primeira vista. E quando estou com a família do marido isso fica ainda mais evidente…

Sou “low profile” demais para a minha sogra e para os amigos da família. E eles ficam toda hora dizendo que eu sou muito quietinha, que eu não falo nada ou fazem aquela piadinha veeeeelha de que eu falo tanto que vou até cansar. E essas gracinhas só fazem com que eu fique ainda mais retraída e com mais vontade de sumir e menos vontade de interagir com aquele povo que fala alto e que se espalha no recinto. Isso é chato demais. Por isso eu queria muito ser uma pessoa simpática e arroz de festa, mas eu não sou. Ponto.

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Minha irmã chega amanhã à noite! Estou muito ansiosa para vê-la!!!

Então é Natal!

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Então é quase Natal. E pela primeira vez em alguns anos eu estou um pouco mais animada para esse momento festivo, pois decidimos passar o feriado com a família do marido no Rio Grande do Sul. Já faz uns 3 anos que ele não vê a mãe dele e eu insisti um pouquinho para que fôssemos pra lá, afinal mãe é mãe. Marido então combinou com o irmão dele que mora em Floripa e vamos nos encontrar para chegar todos juntos na 5a feira de manhã.

Marido me falou para não ficar animada demais, pois família é sempre família e pode ser que o encontro seja um porre. Mas eu tenho para mim que já vai ser infinitamente melhor do que se eu fosse pra São Paulo ficar entre os meus entes queridos. Primeiro que a minha sogra é um amor de pessoa, queridíssima e animada. Aposto que a ceia vai estar deliciosa e que ela vai se desdobrar em mil para nos agradar. E depois ela mora na praia! Marido me disse que não é uma das praias mais lindas do RS, mas para essa pessoa aqui, só o fato de pisar na areia e sentir o cheiro do mar já me faz mega feliz. E por último, vamos fazer algo diferente!! Pronto, já vai ser um natal supimpa.

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Esses dias me lembrei de uma passagem (mais uma) natalina da minha família buscapé… Quando minha irmã ainda morava aqui em Curitiba, nós conseguimos convencer meu pai a vir pra cá para passar as festas com a gente. Daí vieram pai, irmã do meio e os dois sobrinhos. E ficamos felizes! E decidimos que a ceia seria na minha casa, pois na época minha irmã morava num “apertamento” e o meu “apertamento” era um pouquinho maior que o dela. E eu fiquei mega blaster feliz! E daí montei mesa com ceia, com pinheirinho e tudo o que estava ao meu alcance para a primeira ceia da minha vida na minha própria casa! E quando abri a porta para as minhas irmãs e sobrinhos… cadê meu pai???? Minhas irmãs me olharam com aquela cara de cachorrinho caído da mudança e disseram que ele não estava se sentindo bem, tinha pegado um resfriado por causa do ar condicionado do ônibus de SP até aqui, tomou um remédio e resolveu ir dormir. Gente… vocês não imaginam a minha frustração. Acho que agora ficou ainda mais claro por que eu não faço muita questão de ir pra lá no natal, né…

Fim de ano chegando…

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Fim de ano chegando é tormenta anunciada na minha vidinha. Já falei aqui no blog uma par de vezes que eu sempre adorei festas de fim de ano até que a minha mãe faleceu. A falta dela desestruturou a minha família de maneira geral e profunda. Antes tudo era festa mesmo, a gente programava a ceia, era aquela fartura sem fim de comida, bebida, sobremesas mil! E cheiros e sabores e presentes! E ai de quem não esperasse a meia-noite para jantar!

Depois, nós viramos um monte de gente rabugenta que “male male” assa um frango (peru pra quê?), entregamos presentes assim que todo mundo chega e lá pelas 9 da noite o meu pai (o rabugento-mór) janta e vai dormir. Legal, né. Super confraternização em família. Terminamos a  noite geralmente assistindo a porcaria do “Natal da Xuxa” ou qualquer outro programa horroroso de fim de ano. E a minha irmã mais velha que durante muitos anos tomou para ela o papel de agregadora da família faz questão de passar todo natal dessa mesma maneira, pois ela acredita piamente que está fazendo o seu papel. Pra piorar, ela insiste que eu também devo fazer o meu papel e tenho obrigação de estar lá junto com ela.

Outra coisa que a terapia e a maturidade pós 30 anos me ensinou é que precisamos (todos nós, viu irmã) entender que as coisas já não são as mesmas faz tempo. E que essa “separação” é natural. Não deixamos de ser família, não deixamos de nos preocupar e de nos ajudar quando é preciso. Aliás, uma característica de toda família e a minha não é exceção é que na hora que a água bate na bunda, todo mundo pede socorro.

Mas peloamordeDeus não me faça sair do aconchego do meu lar, viajar 400km pra fazer um bate-volta, comer frango assado na noite de Natal antes da 9 da noite e ficar assistindo a Missa do Galo na TV. Não tenho saúde mental e nem disposição pra isso, não.

Carrying on

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E o pinheirinho resiste! Alguns enfeites estão meio amassados, alguns lacinhos se perderam, mas Jogita, a gata que não gostava de Natal, não destruiu a minha árvorezinha!

Família

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Com a chegada do natal eu costumo ficar um pouco mais emotiva e sertir mais falta da minha família. Antes nós éramos tantos, barulhentos, briguentos e chegávamos lá na minha casa sempre carregando um “agregado”. Depois que a minha mãe se foi, viramos poucos, silenciosos e tristes. Agora que a minha irmã está morando fora do Brasil, me tornei uma só. Eu e o marido.

Como eu já disse antes aqui, eu aprendi que as coisas mudam e que não faz mal nenhum a gente se acostumar a isso. E que não é preciso estar um ao lado do outro para que os laços de família e de amor sejam festejados. Finalmente compreendi que pais são seres humanos também, são pessoas que sentem e erram e que, acima de tudo, possuem vida própria. Não, eles não decidiram ter filhos unicamente para viver em função deles. Agora que pretendo ser mãe, entendo muito bem como é.

A gente tem uma mania de esperar dos outros as atitudes que achamos mais legais e convenientes para nós. Mas cada um é um e temos que aceitar as opiniões e as limitações dos demais. Eu finalmente entendi as limitações do meu pai. E das minhas irmãs. E entendi que não deixaremos de ser uma família e de cuidar uns dos outros porque eles não agem como eu gostaria que agissem. Eles são parte de mim, são o que sou e sempre vão ser. Feliz Natal, familia!!! Amo vocês.

No ano passado eu…

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O que é que você estava fazendo há exatamente um ano atrás? Eu estava de “férias” forçadas, sem emprego, pirando o cabeção em casa. Estava limpando tudo dentro casa frenéticamente, fazendo artesanatos, estudando pra concurso público, me preparando para uma cirurgia e tentando convencer a minha irmã a não irmos passar o natal em São Paulo. E vc?

E é Natal outra vez!

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A coisa mais comum do mundo é a gente só perceber que o ano está chegando ao fim a medida que as decorações de natal começam a aparecer nas vitrines. E aí bate aquela nostalgia, aquele momento de reflexão em que a gente se pergunta: mas que diabos eu fiz nesse ano? Fim de carreira total…

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Um monte de gente que eu conheço odeia certas comemorações como aniversário e festas de fim de ano. Gentem, eu amo muito tudo isso. Adoro quando as lojas começam a se enfeitar de vermelho e dourado, adoro pensar nas comidinhas da ceia e principalmente dos presentes de natal. Já tive nostalgia, não vou mentir, mas é uma época em que a gente se permite abusar um pouquinho de tudo o que é bom. A gente abusa um poucão da comida, das sobremesas, das compras e também das pessoas. É tanta demonstração de carinho e de amizade que me esquenta o coração.

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Pausa para falar do lado B das comemorações de fim de ano: o almoço/jantar de confraternização e o famigerado amigo secreto da “firma”. Jesus me chicoteia, mas eu detesto amigo secreto! Eu acho o fim da picada essa brincadeira e todas as demais atitudes sem noção que ela acarreta.

Primeiro grande imbróglio: definir a faixa de preços do presente. Pensando bem, até que foi uma boa ideia inventarem isso, pois antigamente não tinha uma regra nesse sentido e era supercomum o peão dar um presente bacanoso e ganhar lembrancinha de R$ 1,99. Primeiro motivo pelo qual eu odeio participar…

Segunda situação-problema: abrir o papelzinho e descobrir que você se ferrou no sorteio e pegou o poderoso-chefão ou aquele cara que você quer ver pelas costas. Tipo, impossível comprar um presente pra esse ser e pior, impensável imaginar que você vai ter que entregar o regalo e ainda dar um abraço com tapinha nas costas do fulano.

Fora que sempre tem aquele que esquece de comprar o presente ou que não vai na data da entrega por causa de algum “imprevisto” e você acaba indo embora de mãos abanando… Enfim, quem inventou o amigo secreto era um puta de um sacana não temente a Deus.

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Só pra constar: eu vou participar do amigo secreto da empresa. Fiquei com vergonha de ser a única a não entrar na brincadeira… Jesus, me abana.

Tudo muda o tempo todo no mundo

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Eu sempre adorei o Natal. Sempre foi o meu feriado preferido. A vida tomava outro rumo lá em casa quando o fim de ano ia chegando. A vida se agitava, era preciso comprar os presentes, preparar a ceia, era uma profusão de cores, de sabores, de cheiros e de tanta alegria!

É difícil entender que as coisas mudam e se adaptar a uma nova realidade. Passei anos para entender que os finais de ano não seriam mais os mesmos para mim e para minha família. Pra falar a verdade, eu levei exatos 7 anos para entender.

A falta da minha mãe transformou o feriado mais gostoso do ano num momento triste, pesado e sem qualquer significado. Eu achava que as boas lembranças iriam nos salvar desse destino horrível. Eu achava que o fato de ser a época do ano que a minha mãe mais gostava iria ser suficiente para que nós continuassemos o legado dela. Que ilusão. Ano após ano nós íamos nos afastando mais, cada um sendo corroído pela tristeza, pela incompreensão, pela total falta de espírito natalino.

Ontem à noite fui buscar o marido no trabalho e fui pensando o caminho todo sobre isso. O Natal como eu o conhecia não existe mais. E não vai mais existir. É preciso encontrar um novo caminho, uma nova realidade para cada um de nós. Não é imperativo que a gente esteja junto para agradecer e compartilhar o amor. É preciso sentir esse amor de verdade.

Um dia eu terei construído a minha própria família e a responsabilidade de passar adiante o que eu vivi na minha infância será exclusivamente minha. Quando o dia chegar, vou dar o meu melhor para que isso aconteça.

Jingle Bells, Jingle Bells…

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A minha família está geograficamente separada há pelo menos uns 8 anos. Metade mora em São Paulo e a outra metade em Curitiba. Depois que a minha mãe se foi, infelizmente, essa distância deixou de ser somente geográfica e todo ano, quando chega a época do Natal, o estresse em família começa. Quem vai pra lá? Quem vem pra cá? Pra quem é mais fácil ir? Quem tem que trabalhar? Quem está sem dinheiro? Quem não está com vontade? Na boa, é um saco!

Todo mundo tem as suas justificativas. Minha irmã do meio que mora em SP está sempre sem dinheiro, a pindaíba dela dura anos e fica complicado gastar com passagem para ela e mais duas crianças. Ok, eu entendo perfeitamente. Meu pai nunca se programa pra nada e em várias ocasiões aceitou ser escalado para fazer plantão durante TODO o feriado das festas. Parece coisa de quem não tem família, não acham? Qualquer coincidência é mera semelhança.

Já do lado de cá eu e a minha irmã mais velha não temos mais um pingo de paciência pra enfrentar 6 horas de estrada, pegar um trânsito infernal na cidade e filas intermináveis pra comprar até uma água, nos esforçarmos para fazer uma ceia mais ou menos decente que o meu pai janta às 9 da noite e vai dormir. E tudo isso numa viagem “bate-volta” porque alguém sempre tem que trabalhar no dia 26 de dezembro e tem que estar em Curitiba à tempo. Isso sem falar no marido que acha um saco ir pra lá e não ter nada pra fazer, além de ficar preso no trânsito, na muvuca do supermercado e peregrinando pela casa dos tios e tias.

Da última vez ainda tivemos o azar de sofrer um acidente na estrada quando voltávamos pra casa que traumatizou a família inteira. Juro, pensei que a gente ia morrer. Não morremos, mas ficamos com um preju considerável além da síncope nervosa e o fato da minha irmã ter ficado sem carro por quase um mês.

Esse ano, para não quebrar a tradição, a história continua a mesma. Quem vai? Quem fica? Quem tá a fim? Quem não está? E com a minha atual situação financeira abalada pela falta de emprego, decidi logo cedo que ficaria inviável o meu deslocamento. Fiz a louca mesmo, falei: quem quiser que venha e será bem recebido, mas eu não saio da minha casa.

Não se trata somente de uma questão financeira. A ferida emocional é imensa. Nesse momento não sou boa companhia pra ninguém. Estou ranzinza, magoada, impaciente e sem vontade de interagir com outros seres humanos. Além disso, estou cansada dessa pressão de “fazer a minha parte”, de “não sabemos mais quantos natais teremos juntos” ou ainda de “minha responsabilidade como filha”. A minha motivação para estar em família no Natal não passa disso: responsabilidade, pressão, fazer a minha parte. Que merda é essa?

E daí que depois de um papo cabeça que a minha querida irmã mais velha teve com o meu pai e em seguida comigo, ela decidiu que, mais uma vez, vai fazer a sua parte, vai cumprir o seu papel de filha, vai fazer um sacrifício para estar perto deles e conta comigo para fazer isso junto com ela. É difícil para mim recusar qualquer pedido da minha irmã. Primeiro porque eu a amo demais e sempre acho que não me custa nada fazer algum favor que esteja ao meu alcance. Em segundo lugar, porque eu tenho um imenso sentimento de gratidão por causa de tudo o que ela já fez por mim e pelo que ela representa hoje para mim: o que restou da minha família. E família é pra isso mesmo, pra estar lá quando a gente precisa.

Mas esse pedido que ela me fez agora, de uma maneira tão profunda, tão cheio de sentimentos de culpa, de vontade sincera de mudar esse nosso mundinho familiar, me deixou numa crise existencial imensa. Como eu disse antes, a minha decisão de não passar o Natal em família não tem a ver somente com a grana que eu não quero gastar por estar desempregada. Tem a ver com o momento em que eu me encontro e com o fato de achar que tá mais do que na hora de mais alguém nessa família fazer a sua parte! Tenho mais alguns dias pra pensar e decidir se embarco nessa. Provavelmente eu acabe cedendo, única e exclusivamente por consideração a ela, e já sabendo que o marido desta vez não vai me acompanhar nessa, ele pediu a minha compreensão e disse que gostaria de ficar em casa. E eu o entendo perfeitamente.

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