Na parede da memória

Algum tempo depois do falecimento da minha mãe eu fiz um blog chamado Tudo sobre minha mãe. Eu escrevia lembranças, sentimentos, tudo o que dizia respeito à ela e sua interferência na minha vida, no meu jeito de ser e na minha história pessoal. Era uma forma de mantê-la viva e de colocar pra fora o sentimento de perda que eu tinha (e ainda tenho). Mas com o passar do tempo (ah, o tempo, sempre esse grande curador dos males) eu não senti mais necessidade de continuar com o blog. Mas vira e mexe eu me lembro de alguma coisa engraçada ou só alguma coisa que a minha mãe fez ou costumava falar.

Ontem quando fui ao salão eu me lembrei do dia da minha formatura de 8a série e que nós duas fomos ao salão de beleza do nosso bairro fazer as unhas. Pois é, eu sou de um tempo em que não se levava crianças de 4 anos para o salão para pintar unhas e fazer escova. Pra dizer a verdade, eu nem me lembro quando foi a primeira vez que eu entrei num salão para fazer outra coisa que não fosse cortar o cabelo. Principalmente nesses salões de bairro que geralmente são um puxadinho na casa da manicure.

Enfim, nesse dia em questão eu estava radiante, pois era o primeiro evento formal que eu participava, tinha mandado fazer um vestido especialmente para a ocasião e ainda ia fazer as unhas! Chegamos ao salão, minha mãe foi a primeira e quando chegou a minha vez, ela simplesmente disse que não era para tirar minhas cutículas. A moça que fizesse qualquer coisa, pintasse, mas não era para tirar as cutículas. Me lembro de ter ficado chocada e absurdada, fiz até uma ceninha na frente de todas as moças presentes, mas minha mãe não arredou o pé, como sempre.

A manicure então fez o favor de levantar minhas cutículas, o que fez minhas unhas ficarem ridículas, mas não tocou no alicate e eu saí do salão com um bico maior que o mundo. Enquanto caminhávamos de volta pra casa, minha querida mãe então resolveu me dizer que não deixou a manicure fazer as minhas unhas porque ela machucou os dedos dela arrancando os famosos “bifes” das suas unhas. Ou seja, ela quis me proteger! E eu, no auge dos meus 14 anos, continuei emburrada e indignada, achando aquilo tudo uma bela porcaria. Ontem eu me peguei lembrando dessa história e senti um calorzinho no peito. Pra você ver o que é ser mãe…

Anúncios

Marcado:

Comenta aqui!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: