Vamos falar de feminismo?

O feminismo e a discussão sobre a importância de repensar o papel da mulher na sociedade nunca

esteve tão em alta. Porém, tudo o que dá ibope, tudo o que fica à tona nos meios de comunicação

de massa gera ruídos, desentendimentos, abordagens equivocadas. Isso é lei. Quando se fala

demais sobre um assunto, tenha certeza de que as polêmicas e os conflitos ideológicos vão surgir

pra bagunçar o coreto.

Outro fato: discussões e pontos de vista diferenciados são importantes para enriquecer o tema e

fazer o povo pensar, num mundo ideal. No nosso mundinho de egos exacerbados e excesso de

verdades universais criadas por grandes pensadores de internet, o que a gente vê é um ódio

desmedido sendo destilado em redes sociais. E eu me pergunto: quando é que o ser humano vai

amadurecer?

Com o feminismo não é diferente. A partir do momento que despertou-se essa consciência de

encarar a forma como a mulher é tratada na sociedade de uma maneira diferente, tudo virou

mimimi, todo mundo é “feminazi”, tudo é exagero de “lésbicas mal comidas”.

Inclusive, me surgiu a ideia de escrever sobre esse assunto, justamente por conta de uma conversa

que tive com meu marido amado, também cheio de ideias equivocadas sobre o tema e que

começou a questionar a minha ideologia.

Portanto, vamos lá. Vamos falar de feminismo sob a minha ótica. O feminismo não é uma forma

de machismo reverso e, acima de tudo, não é um movimento que prega o ódio aos homens. O

feminismo deve ser uma luta para que as mulheres tenham seus direitos como um todo garantidos

na sociedade.

Quando se fala em “igualdade entre os gêneros” é que começa o samba do criolo doido. Ah, mas

como assim? Então o que as feministas querem é imitar o comportamento masculino, fazer

serviços pesados, ir pra guerra, beber até cair, ser promíscuas, fazer “coisa de homem”?

Não gente, ninguém quer imitar ninguém. Homens e mulheres são fisicamente e psicologicamente

diferentes e nada no mundo vai mudar isso. O que queremos é que uma mulher não seja

discriminada em praticamente todos os âmbitos da vida pelo simples fato de ter uma vagina e não

um pênis.

E eu sei que é difícil mesmo para alguns homens conseguirem internalizar essa equação (embora

seja um raciocínio bem simples), pois o machismo está absurdamente arraigado na nossa cultura.

Os meninos crescem, muitas vezes, num realidade familiar em que os homens são servidos e

reverenciados pelas mulheres da casa. Além disso, a educação sexual para o meninos tem uma

abordagem completamente diferente do que para as meninas.

É aquela velha realidade que todo mundo está cansado de saber: os meninos são criados para

serem “pegadores” e as meninas para serem belas, recatadas e do lar. Então eu entendo, sabe, que

um homem não consiga mesmo compreender muito bem como é opressor crescer desse jeito, sob

essa regra universal, já que pra ele tudo sempre foi diferente.

Mas então as feministas querem ser “pegadoras”? Sim e não. O que queremos é ter o direito de

sermos “pegadoras” (se essa for a nossa vontade) sem sermos tachadas de putas, galinhas,

indecentes e etc. Você quer sair na balada e pegar geral, fazer sexo no primeiro encontro, beijar

vários na mesma noite, beber todas? Então se joga, fia. Isso não significa que você é pior que

ninguém ou que está pedindo pra ser atacada e estuprada. Ah, mas essa não é a sua vibe, você não

curte balada, não é de beber muito, prefere ficar de boas e esperar o príncipe encantado. Tá bom

também. Cada cabeça uma sentença.

Aí me perguntaram again: mas esse tipo de comportamento é mais comum nos homens, então as

feministas estão sim querendo imitar os homens e você acha isso legal. Mais uma vez eu digo: o

que o movimento prega não é imitar homens, tá. Aquilo que eu falei no parágrafo anterior serve

para os homens também. Você, homem, quer sair na night e pegar geral? Ok, não tem problema,

não. Aliás, nunca teve, né meu bem… Mas se você, homem, não gosta de badalação, prefere se

entregar a um relacionamento sério, tá tudo certo também.

Ah, mas o que aparece na mídia é um bando de mulher brigando com homem, peitando homem,

mostrando os peitos, etc. É isso que é ser feminista? Aqui cabem duas considerações dentro do

meu ponto de vista. Primeiramente, há tempos que não se deve confiar cegamente no que é

divulgado pela grande mídia. Seja criterioso com as notícias que você lê, tenha uma postura crítica,

procure entender toda a questão e isso vale não só quando se fala em feminismo, mas para tudo na

vida. E, em segundo lugar, tem gente equivocada e idiota em qualquer lugar, até mesmo nas

minorias.

Outra verdade (essa sim universal) que deve ser absorvida: ser idiota independe de credo, raça,

gênero ou posição social. Quem é idiota, simplesmente é. #ficaadica

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Um pensamento sobre “Vamos falar de feminismo?

  1. Iza Pereira (@IzaPerSil) 9 de fevereiro de 2017 às 2:37 PM Reply

    Um texto pra chamar de meu! Adorei 😉

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