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Sintomas de quem fez 30 anos

– A nécessaire aumentou, agora não dá pra levar na bolsa só um hidratante, batom e a escova de dentes. Tem que ter filtro solar, creme para olheiras, loção firmadora, loção anti-idade E hidratante.

– Aumento no senso de ridículo: calça com cintura baixa e barriga de fora, nunca mais. A não ser que você seja personal trainer, lógico.

– Alteração no metabolismo: um único bombom aumenta o seu peso do dia para a noite enquanto um mês de academia faz perder somente alguns gramas.

– Quando você marca esquema com a galera, precisa pensar em lugares que os amigos possam ir com os filhos.

– A grande maioria dos amigos tem filhos.

– Existe uma geração inteira solta por aí que não assistiu Goonies, Curtindo a vida adoidado e A garota rosa shocking.

– Falta de paciência com balada.

– Falta de tolerância com o ser humano.

– Você já não faz coisas que não gosta só pra agradar os outros.

– Tem que agüentar gente que tem entre 24 e 27 anos te tachando de velho.

30 anos

Aos 20 e poucos eu tinha neura de chegar aos 30. Sou uma organizadora mental, planejo cada pequena coisa do meu dia, do meu ano e da minha vida. Aos 20 e poucos eu planejei como seria a minha vida aos 30. Quanto mais próxima dos 30 eu chegava, mais eu percebia que não adiantava nada planejar. A gente planeja para ter uma falsa sensação de que está no controle, de que está seguro contra as agruras da vida. Entender que eu nunca estive no controle me ajudou a esquecer a neura dos 30.

Há 3 meses eu fiz 30 anos e me senti diferente. Nada a ver com crises existenciais malucas, angústias sobre o futuro, sobre o que eu já fiz e o que ainda vou fazer. Mas uma sensação boa de que eu coloquei os pés numa nova etapa de vida. No meu aniversário encontrei um texto na internet que falava justamente sobre essa descoberta e vou compartilhar aqui os trechos que mais me emocionaram.

“Antes dos 30 as coisas são diferentes. Claro que há algumas datas significativas, mas fazer 7, 14, 18 ou 21 é ir numa escalada montanha acima, enquanto fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais agudamente descortinar.”

” Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que saber tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.”

“Quando algugém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é cair numa epifania. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como um mineiro vê pela primeira vez o mar.”
” Aos 30 anos já se aprendeu os limites da ilha, já se salbe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se autocartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema. Fazer 30 anos é como uma pedra que já não precisa exibir preciosidade, porque já não cabe em preços. É como a ave que canta, não não para se denunciar, senão para amanhecer.

Fazer 30 anos é passar da reta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é passar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a um cego em Jericó.

Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar pra trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar.”

Affonso Romano Sant´Anna – A mulher madura