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Amigos, amigos…filhos à parte!

Faz tempo que eu ensaio falar sobre algo comum na vida de quem decide ter filhos: vida social e a relação com os amigos. Amigos são pessoas especiais que você conhece no decorrer da vida e que possuem algo em comum com a sua pessoa. Algo suficiente para que você ache interessante fazer coisas juntos, ocupar o tempo, falar da vida. Nem sempre os amigos vão concordar com a sua vontade de constituir família… Há quem já tenha decidido que filhos não fazem parte dos seus projetos pessoais, por exemplo. E há aqueles que decididamente não possuem (e nem fazem questão de ter) afiinidade alguma com os pequeninos.

O que acontece nesses casos é que muita gente se afasta naturalmente. E isso aconteceu comigo. Ao mesmo tempo em que fui acolhida pela “confraria das mães de crianças pequenas” e recebi muito apoio, mil dicas, carinho profundo, preocupação e interesse verdadeiros pela minha caminhada no mundo da maternidade, enfrentei muito descaso de amigos considerados “de uma vida inteira”.

Confesso que demorei a digerir isso tudo, essa nova condição. Perdi horas me lamentando e tentando buscar uma explicação, me perguntando o que teria eu, pessoa de bem, que continuava sendo a mesma amiga de sempre, feito para provocar tal afastamento? No fundo, eu me recusava a admitir que a resposta era clara. O “pecado” cometido contra a tal amizade duradoura foi ter tido um filho! E, pior do que isso, admitir que eu não continuava sendo a mesma amiga de sempre assim como eu acreditava. Já falamos sobre isso antes, a maternidade faz com que você mude em níveis nunca antes imaginados. A atitude diante da vida toma outro rumo. Não se trata apenas de ter menos tempo para happy hours ou menor disponibilidade para viajar para qualquer lugar a qualquer hora.

A maternidade transforma a gente e nem todo mundo recebe isso de maneira tranquila, isso é fato. E não há culpados. Não há “maus amigos” ou “amigos de mentira” (embora tenha ocasiões em que eu já tenha pensado assim). Trata-se apenas de mais um daqueles momentos de vida em que as coisas se modificam e levam um tempo pra se encaixar. É preciso aceitar que aquele amigão que nunca demonstrou afinidade com criança na vida inteira não vai simplesmente amar o seu filho pelo simples fato de ser o filho do amigo-de-fé-irmão-camarada. Tá certo que tem momentos que eu ainda me indigno e acho que tá tudo errado e que amigo de verdade não age assim… Mas estou trabalhando mentalmente para aceitar.

O que me fortaleceu demais foi enxergar o outro lado da moeda, ou seja, deixar pra lá as “perdas” do processo e valorizar os ganhos. Valorizar os amigos que mesmo sem filhos continuam parceiros e receberam Jamile de braços abertos e dar especial atenção para aqueles que me acolheram e fizeram questão de dividir suas angústias e alegrias da maternidade. Até hoje me surpreendo com isso, pessoas com quem tive contato seperficial ou que fazia anos que eu não via, se disponibilizaram de uma maneira que eu nunca imaginei. No final das contas, fazendo a prova dos 9, o saldo está mais do que positivo e é isso que importa.

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Obrigada, muito obrigada!

Gente linda que me lê, obrigada! Obrigada por acompanhar os meus passos durante as tentativas de engravidar e todo o caminho que percorremos quando optamos pela adoção. Obrigada por torcerem para que a demora fosse curta (as vibrações de vocês são porretas, hein) e por vibrarem comigo quando a Jamile chegou.

Agora, mais do que tudo, obrigada por participarem desses momentos iniciais turbulentos e por torcerem para que dias melhores surjam. Obrigada também aos amigos que não são virtuais e que no dia a dia estão me estendendo a mão e mostrando que somos um casal querido e que podemos contar com mais gente do que eu sequer um dia imaginei.

Confiança renovada, nada como um dia após o outro com uma noite no meio. E um marido fofo que me levou pra sair ontem para conversarmos e acertarmos os ponteiros. Tamo junto!

Recado para vocês

Esse blog nasceu há quase 3 anos atrás num momento difícil que eu estava passando. Uma época em que eu não tinha gatos, uma época em que eu ainda digeria e tentava entender a infertilidade. Esse assunto em comum fez com que outras meninas que passavam pela mesma dificuldade interagissem comigo pela internet para trocar experiências e angústias.

Dessas meninas que dividiam angústias sobre a incapacidade de engravidar, uma hoje se prepara para ter o seu tão sonhado bebê (Marina, seja bem-vinda a esse mundo louco!) e outras continuam arrumando maneiras de enfrentar essa realidade dura. Quando comecei a trilhar os caminhos da adoção, outras meninas fofas e queridas vieram parar aqui trocando experiências e angústias sobre entrevistas com psicólogas, documentos e estatísticas sobre adoção.

Viu como as coisas mudam? Viu como viver é uma grande aventura? Viu como cada dia trás uma experiência nova para nossas vidas?  Hoje, domingo de Páscoa, tá uma baita chuva aqui na minha cidade e quero falar para as minhas queridas amigas virtuais Vivi e Camila, Paty, Déborah, Dalila e Ane. Cada uma de nós está numa parte do caminho, umas no comecinho da estrada ainda indecisa se deve trilhá-la ou não, outras já cansadas desse caminho difícil e de pedras e outras quase concluindo o processo e atingindo o objetivo que possuímos em comum.

Independente de que parte do caminho estamos, a nossa vida deve ser vivida hoje e agora. Nessa caminhada em busca da maternidade, em muitos momentos nos esquecemos de que somos mais do que isso. Somos mulheres batalhadoras, amigas, tias, irmãs, filhas, esposas. Somos muitas em uma só. E temos muito cinema pra ir, muitos livros pra ler (nem me falem em desafio nessa hora, hein!), muitos amigos para abraçar, cervejinha pra tomar de bar em bar, festinha pra festejar… Porque depois que as nossas crias chegarem (de uma maneira ou de outra), tudo nas nossas vidas vai mudar. Então, bora aproveitar essa “solteirice” de criança que ainda existe! Vamos acordar tarde, tomar café na hora do almoço, jantar pizza ou lasanha congelada, deixar os bichos de estimação dominar a casa enquanto tudo isso é permitido! E sem sofrimentos demasiados, sem angústias profundas, vamos viver um dia de cada vez.

É o meu convite para vocês, amadas. Feliz Páscoa!

A minha amiga Bia

A Bia é o que se pode chamar de minha BFF (Best Friend Forever). Mas a minha história com ela é muito curiosa! Nos conhecemos em 2005 quando ela começou a trabalhar na mesma empresa que eu. E a gente até já comentou (mais de uma vez, inclusive) que tínhamos tudo para não sermos amigas, afinal de contas ela foi contratada para ser minha chefe sendo que eu já era supervisora da área há alguns meses. Muitas pessoas passaram por mim e se disseram indignadas com aquela atitude da diretoria e que eu devia estar revoltada com a situação. Mas na época eu fui madura o suficiente, apesar de ter 20 e poucos anos, de entender que eu não tinha experiência suficiente e que seria muito bom finalmente ter alguém com quem dividir o rojão. E a Bia, além de ser muito inteligente, tinha um tanto mais de experiência profissional do que eu. Isso fez com que eu a recebesse muito bem e nos 2 anos que trabalhamos juntas, eu virei o braço direito e esquerdo dela. Mas ela não era fácil, não. Instável, geniosa, sem papas na língua, um tanto imatura emocionalmente… O clima do departamento variava de acordo com o humor dela. Se ela estava bem humorada, o trabalho rendia, a gente brincava, era só descontração. Mas se ela estava com a macaca… Era melhor ninguém abrir a boca ou a coisa ficava feia. Esses dois anos de parceria foram intensos, a gente discutiu, chorou, compartilhou derrotas e sucessos, enfrentou motins na equipe, bafafás e um par de diretores mais malucos que nós gritando e dando pitis. E ficamos amigas. Muito, muito amigas. Nós nunca passamos um aniversário longe uma da outra, ela foi me visitar no hospital quando fiz a videolaparoscopia, ela foi uma das pessoas a assinar a declaração de idoneidade para o meu processo de adoção e ela daria um dedo para que eu voltasse a trabalhar com ela. Aliás, isso só não aconteceu porque eu não aceitei a oferta. Ela conhece a minha irmã, meu sobrinho e considera meu marido tão amigo dela quanto eu. Eu conheço os pais dela, o irmão, a cunhada e adoro a mãe dela de paixão. Somos parecidas profissionalmente, mas muito diferentes na vida pessoal. Ela é exagerada, fala muito palavrão, é supervaidosa, fala alto, quando ri demais parece um “porquinho” e usa decotes generosíssimos. Ela é over. Ela é over querida também, parceira, carinhosa e desligada de bens materiais. E a gente se respeita demais. E sempre que possível eu digo pra ela “amiga, eu te amo”. Aprendi com o tempo que devemos dizer eu te amo para todas as pessoas especiais que existem em nossas vidas. E é o que eu e a Bia fazemos. Amiga, eu te amo, viu!

Quando se é solteira…

Tenho duas grandes amigas solteiras e que levam aquela vida de… solteira! Isso significa que elas chegam em casa e vão direto pro chuveiro, na maioria das vezes tem janta pronta (ou alguém pra fazer, pra pedir, pra comprar, pra materializar) e só se preocupam com a roupa que vão usar no dia seguinte. E elas saem pra beber com certa frequência, tipo umas 3 vezes por semana, pois o dinheiro que elas ganham serve para as roupas, os cosméticos e as necessidades básicas de solteiros!

E eu tento explicar pra elas porque euzinha geralmente não tenho pique pra acompanhá-las, mas é difícil! Tento explicar que toda noite quando chego em casa, tenho que alimentar os gatos, limpar a caixa de areia, lavar a louça do dia anterior ou do café do manhã (ou as duas juntas), preparar o jantar, catar as coisas que ficaram jogadas na sala como, por exemplo, os sapatos que eu usei no dia anterior, e tudo isso, antes mesmo de ir ao banheiro. Tem dias em que tenho que colocar roupa pra lavar, ou não terei mais calcinhas limpas e marido não terá mais meias para usar. Tem dias que tenho que tirar a roupa do varal, aquela que eu lavei há dois dias atrás. E varrer a cozinha que está cheia de farelos de areia higiênica que os meus gatos fizeram o favor de espalhar depois de usar a caixa para suas necessidades.

E se eu não estiver com um pingo de vontade de fritar nem um ovo, antes de chegar em casa tem que pensar no que comprar, comida congelada, comida pronta de rotisseria ou pizza? E tem dias em que é preciso sair do trabalho e passar no supermercado, pois a geladeira parece um côco: só tem água dentro e depois de certa idade (e peso) é bom ter verduras, frutas e comida de verdade em casa. E ainda fica difícil explicar que sair para beber 3 vezes por semana consome uma quantia de dinheiro por mês que eu não tenho de onde tirar…

Ah, quando se é soltera a gente nem imagina o que vem pela frente… heheheheh

Força!

Quero dedicar esse post à minha amiga Marcela que está no hospital se recuperando de uma apendicite gravíssima. Que susto que você deu na gente!

Fica boa logo, pocalia. Assim que você puder receber visitas, tamo na área. Pensamentos positivos sempre.

Amigos

Afortunados são aqueles que têm amigos. E eu tenho amigos. Tenho amigos que resumem tudo o que sentem num abraço. Não é preciso dizer nada, não é preciso pedir desculpas ou mandar todo um texto sobre como a pessoa se compadece da sua situação. Basta um abraço. Um abraço longo, apertado, com a intensidade e o significado de 1000 palavras. Naquele momento em que a gente se perde de si mesmo e que a única coisa que importa é a sensação boa de saber que você tem com quem contar quando precisar. Ah, como é bom ter amigos.