Arquivo da tag: emprego

A nova rotina familiar

A partir da mudança no meu esquema profissional, tivemos que nos reorganizar aqui em casa com a rotina da família. E tenho que confessar que eu A-DO-REI a nossa nova ordem mundial. Acho que ficou bom pra todo mundo e eu me sinto menos sobrecarregada.

O meu horário oficial, a partir da próxima semana, será das 14h às 20h, mas por enquanto estou trabalhando das 13h às 19h por causa do treinamento para a função. Por conta disso, marido agora é o responsável por buscar Jamile na escola todo santo dia. Ele sai do trabalho por volta das 18h, às vezes consegue sair antes, pega ela e quando eu chego em casa ali pelas 20h ela já jantou e está cheirosinha em seu pijama. Tenho que confessar que tive que me habituar a largar as rédeas e deixar tudo por conta do marido. Não que não haja confiança nele, pelo contrário, ele super dá conta de cuidar dela com louvor. Inclusive ele vem com um “plus-a-mais-adicional” que é o fato de curtir brincadeiras enérgicas, joga bola, faz mil cócegas, pendura no teto, arrasta pela casa… coisas que Jamile adora e que eu não sou muito de fazer. Mas eu sou controladora, gentes! E me sentia perdida e pelada nas primeiras semanas ao perceber que eu não tinha que me preocupar mais com aquela parte do dia. Além de sentir uma puta falta dessas tarefas, tomar banho junto, pensar numa comidinha nutritiva, natural, etc… A gente se estressa pacas, é cansativo, mas fazer essas coisas faz parte do exercício da maternidade, faz parte do amor que você dá. E eu sentia falta de dar esse amor…

Agora já relaxei e acho revigorante chegar em casa e me deparar com boa parte das tarefas já realizadas por outra pessoa. Até porque, nem todo dia marido está iluminado o suficiente para fazer janta… Tem dias que ele espera eu chegar pra gente encarar uma pizza. Dá pra dar um desconto, afinal eu também fazia isso. Acho muito curioso esse estereótipo do pai que não faz nada, que “não sabe cuidar do filho”. Juro que não consigo entender esse tipo de atitude por parte dos casais. Ano passado tive que fazer uma viagem de 3 dias a trabalho e quando eu falei que ficaria todo esse tempo longe as pessoas perguntavam assustadas “e como você vai fazer com a Jamile?” A resposta era a mais óbvia possível, galera, minha filha tem pai! E ele dá banho, dá leitinho de manhã, dá janta (mesmo que apele para o miojo de vez em quando), bota pra dormir, conta história e ainda brinca com ela muito mais do que eu. Normal, né… Afinal pai é pra essas coisas. Além disso, essa mudança toda vai contribuir muito para fortalecer a relação deles e para criar uma cumplicidade única entre os dois. Isso é importante!

Outra coisa bem legal da nossa nova rotina é que Jamile fica comigo em casa de manhã alguns dias da semana, então dá pra “exercer a maternidade” numa boa mesmo perdendo aqueles momentos da chegada da escola. Primeiramente eu tinha definido que ela ficaria comigo de manhã às 2as, 4as e 6as. Reservei as 3as e 5as para fazer meus freelas e aulas de inglês. Mas a coisa acabou não funcionando assim tão bem como eu gostaria. E entrei em crise… E marido me cobrou (lógico). E chorei e descabelei e me senti péssima, pois eu sou dramática. Percebi que 2 dias na semana não tava dando pra eu fazer todas as atividades online que eu me propus e ainda preparar aulas para os meus aluninhos. Acabava passando os outros dias irritada por ter que me desdobrar entre o computador, o almoço e dar atenção pra Jamile ao mesmo tempo. Semana passada decidi entender que o mundo nunca é perfeito, né… E que é melhor que eu fique menos dias com ela de manhã desde que eu realmente fique só com ela sem preocupações, sem neura, sem irritação. Sendo assim, Jamile agora vai pra escola o dia inteiro às 3as, 4as e 5as. Reservei as 2as e 6as porque né… segunda-feira é difícil pra todo mundo e sexta é sexta, minha gente! Mas esse calendário não é fixo, pois a partir da próxima semana eu vou entrar na escala de fim de semana lá no meu trabalho e quando eu trabalhar no sábado ou domingo, tenho folga em dias úteis. Ou seja, tudo beeeem flexível exatamente como eu sonhei.

O legal de ter alguns dias da semana só pra mim é que agora eu finalmente consegui voltar a ter paz no banho. Toda mãe que me lê vai entender a delícia que é quando você pode se dar ao luxo de tomar um banho demorado, sem interrupções. E quando você consegue sair do banho e passar seus creminhos numa boa? E escolher a sua roupa tranquilamente? Não tem preço! Estou vivendo isso de novo e estou adorando! Quando Jamile está comigo de manhã, o esquema é aquele de sempre, correria, tem dia que saio sem brinco e maquiagem (quase sempre) e torço pra não estar usando roupa manchada ou do avesso. E lá vamos as duas com mochila, casaco, bichinho de pelúcia pegar o ônibus pra escola. Outra mudança importante, agora marido fica com o carro, pois tem que buscar a pequena na saída. Consegui emagrecer 2 quilos com essa brincadeira de pegar ônibus e andar por aí. Só benefícios, gente!

 

Anúncios

O concurso

Há exatamente um ano me inscrevi para um concurso público. Paguei taxa na correria, descobri que a prova aconteceria apenas 15 dias depois, como de praxe (no meu caso) não estudei nada mesmo, fiz a prova mal humorada e com a certeza de que estava perdendo tempo e dinheiro. Quando a classificação foi divulgada quase caí da cadeira, pois fiquei entre os primeiros 30 colocados. E a possibilidade de ser convocada virou algo tangível.

Sinceramente eu achei que só receberia notícias desse concurso mais pro final desse ano e guardei essa história como mais uma das minhas possibilidades de mudar minha vida profissional. Eis que o telegrama chegou no dia 11 de julho, quase 1 mês depois que eu pedi demissão. E me pegou num momento em que eu realmente não esperava. Vou tentar explicar… Quando resolvi sair do meu trabalho eu tinha dois grandes objetivos: dedicar mais tempo à minha filha e ser feliz profissionalmente. Para ser feliz profissionalmente eu elenquei as atividads que me possibilitariam ter flexibilidade para justamente ficar com a Jamile tranquila, sem estresse.

Na mesma semana que o telegrama chegou eu tinha acabado de fazer uma reunião com a minha amiga-irmã Vivian para traçar as linhas da nossa parceria e de como íamos dar início ao nosso projeto juntas. E a notícia do concurso caiu como uma bomba. Por um lado era uma proposta irrecusável, como alguém simplesmente desiste de um concurso público? Por outro lado era voltar ao que eu justamente estava fugindo (cumprir horário, falta de flexibilidade, ausência de casa…)

Após algumas noites insones (e pressão do marido), tomei a decisão de ir em frente com a vaga do concurso, afinal é meio período, o pacote de benefícios é extremamente atrativo e vou dar um jeito de dar conta de tudo. O projeto com a Vi ficou suspenso só até eu me organizar com os horários e demais atividades remuneradas que eu topei (aulas particulares de inglês no sábado e tutoria online), pois eu tenho muito amor a esse projeto e acredito que o nosso negócio vai ser a minha atividade principal em um curto período de tempo. Sim, tenho fé que tudo dá certo no final. Afinal, já começou a dar certo, não é verdade?

Abandono de emprego

É isso aí, pirei na batatinha, pedi demissão do emprego opressor e fui ser feliz no México. Mas já voltei e já tô até exercendo atividade remunerada de novo. Coisa louca, né. Vamos por partes pra assimilação ficar mais fácil.

Depois daquela mega-hiper-bláster crise de identidade + mimimi eterno + DR felomenal com marido, decidi que era hora de parar com aquilo tudo. Defini que meu deadline seria dia 13 de junho e a escolha da data num teve nada que ver com “assistir a Copa do Mundo em casa” como alguns engraçadinhos (leia-se meu antigo chefe) vieram me falar. Agora deu pra entender por que eu estava surtando, né? Bom, essa data ficou gritando na minha cabeça por ser o último dia de aula da Jamile na escola antes das férias e eu jamais na vida desejo passar pelo que passei no começo desse ano novamente. A escola dela simplesmente não tem Colônia de Férias então eu tive que arrumar outra escola pra ela ficar por duas semanas e minha filhotinha odiou o lugar, chorava todos os dias e eu chorava junto indignada com a vida de merda que eu tava levando. Repetir a cena? Jamais, meu bem.

E assim eu fiz. Conversei com o chefe em meados de abril, ao final de um feedback onde ele disse ter notado que eu “não estava muito feliz”. Puxa, como ele era observador! Dããn… E acertamos que meu desligamento seria efetivado no dia 13 de junho. Pensa numa pessoa aliviada, feliz, cuca fresca? Era eu. Agora visualiza uma pessoa à beira de um ataque de nervos? Era o marido. Claro que essa equação não funcionou muito bem. Enquanto eu me sentia extremamente bem resolvida e, pela primeira vez na vida, completamente certa de uma decisão tomada, marido amado sofria aterrorizado com o nosso futuro chegando ao ponto de ter que correr com ele pro hospital por conta de crises de ansiedade. O barato foi louco aqui em casa entre maio e junho…

Cabe dizer uma coisa importante, a partir do momento que tomei a decisão de sair do emprego, fiz todo um levantamento da nossa situação financeira, planilha no Excel com os vários cenários, onde teria que cortar custos, tudo bem organizadinho pra eu saber o tamanho do rombo futuro. Fiz uma poupancinha com o que foi possível guardar ao longo dos primeiros seis meses do ano, segurei o tcham com os gastos, mandei diarista passear e, por fim, comecei a garimpar outras formas de remuneração que estivessem dentro do que eu tinha em mente. Hello, marido, fiz tudo certinho, meu bem, tudo friamente calculado, por que surtar, amor? Porque ao final dos seis meses eu tava saindo do emprego (FDP) que pagava bem pra ser feliz, sem lenço nem documento (nem remuneração). E ser feliz é coisa de quem não tem o que fazer, não tem responsabilidade, conta pra pagar, filho pequeno, gato, financiamento. Ser feliz é pra quem pode e não pra quem quer.

Voltando à vaca fria, fui garimpando mesmo toda e qualquer oportunidade de trabalhar meio turno, online, de casa, esse era meu grande objetivo. E vou dizer uma coisa, aquele lance de que o universo conspira a nosso favor realmente aconteceu comigo. A partir do momento que eu passei a falar para as pessoas que estava prestes a sair do emprego e que estava em busca de oportunidades de trabalho que permitissem passar mais tempo com a minha filha, as coisas começaram a acontecer de fato. Recebi mil dicas, um contato aqui, outro acolá, indicação, e isso tudo só me fortaleceu. A cada dia eu percebia que tinha tomado a decisão correta, pois o mundo à minha volta mostrava que existiam oportunidades dentro do que eu imaginava. Enquanto eu me empodeirava, marido sofria… E eu também sofria, calada.

Eu tentava mostrar pra ele que estava com tudo sob controle, tinha feito muitos contatos, já no mês de maio assumi um job como tutora online para um curso à distância, grana pequena, mas eu não tinha nenhum tipo de gasto, faço tudo de casa, programo meus horários. Comecei a divulgar meu interesse em dar aulas particulares de inglês, conversei com uma amiga querida que ganha a vida desse jeito e ela super se dispôs a me indicar alunos. Tinha reservado uma graninha que daria pra segurar as contas até o final do ano. Tudo friamente calculado.

E, pra deixar a coisa ainda mais arrematada, tinha outra carta na manga. Um concurso público que eu fiz no ano passado, no auge do desespero pra sair daquela empresa e, surpreendemente fiquei numa colocação bem bacana (23o lugar). Salário singelo, tá. Mas o que mais me chamou atenção foi carga horária de 6 horas (!!!!!) e pacotão de benefícios. Eis que, na mesma semana que eu voltei do México, justamente quando eu ia arregaçar as mangas e sair por esse mundão de Deus tocando os meus projetos amados, com sorriso de orelha a orelha, recebo o telegrama de convocação do concurso! Para o mundo que eu quero descer!

Aguardem cenas dos próximos capítulos… (Ai, que suspense!)

Novidades

Não é segredo pra ninguém que já faz um tempo que eu ando em crise profissional (e financeira). Já fiz muito mimimi aqui no blog falando sobre a minha falta de capacidade de conseguir um emprego decente e tudo o que eu espero da minha vida profissional pós 30 anos. Eis que, depois de algumas promessas não cumpridas no meu atual trabalho, resolvi voltar a olhar para o mercado. Mas, como eu não estou desempregada, posso olhar as oportunidades com calma, ser seletiva e procurar uma oportunidade que realmente valha a pena. Outra coisa que me encorajou a fazer isso é o fato de ter desistido de engravidar, portanto não preciso mais me preocupar com esse detalhe na hora de pensar em mudar de emprego.

E algumas coisas começaram a acontecer! Tive duas conversas interessantes hoje e que me deixaram animada. O curioso é que eu mudei e muito a minha atitude com relação a isso. Confesso que acho um saco procurar emprego… Todo o ritual que se cria em torno disso, os estereótipos chatos sobre como se portar, o que responder, seja positiva, não fale isso, não fale aquilo, a famigerada dinâmica de grupo. Isso tudo me cansa. Principalmente porque eu sempre segui todas as malditas regras e nunca consegui o emprego dos meus sonhos. Então eu decidi que estou de saco cheio delas e que o melhor é ser sincera, ser fiel ao que eu espero da vida, não florear demais as minhas qualidades e valorizar o meu passe naquilo que eu sei fazer bem. De agora em diante vai ser assim. E vai ser desse jeito porque eu estou de saco cheio de representar, se a empresa me quiser, ok, se não me quiser, tem quem queira, meu bem. E tenho dito!

 

O mundo é redondinho…

Semana passada recebi uma notícia sobre uma pessoa. E só agora eu lembrei de falar disso aqui no blog… Justo aqui nesse blog que nasceu justamente por causa de algo que essa pessoa fez comigo. Há exatos 1 ano e meio atrás eu ficava desempregada e quem me demitiu foi um cara que eu considerava parceiro, tinha sido meu colega de trabalho, me convidou pro casamento dele, etc, etc, etc. Eu perdi bastante com essa situação, afinal fiquei sem emprego e quase surtei, mas esse cara perdeu muito mais. Perdeu o respeito das pessoas que o cercavam, mostrou que não tinha hombridade, nem presença de espírito e muito menos coragem de ser um líder de verdade. O profissional que ele mostrou ali, é o que ele será em qualquer lugar onde ele venha a trabalhar. E na semana passada eu soube que ele foi demitido daquela mesma empresa. Num primeiro momento eu admito que gostei de saber disso, achei bom saber que ele passou pela mesma situação que eu. Hoje olho em minha volta e vejo que não existe mais lugar pra pensar nele, no que me aconteceu e no rancor que eu sentia tão profundamente. Como eu já sabia que ia acontecer, o tempo se encarregou de acalmar o meu coração. Graças a Deus.

E vc vê só…

Quando eu trabalhei naquela empresa, a “inominável”, aquela que não se pode dizer o nome sob risco de uma maldade imensa acontecer na minha vida, fiz muitos amigos. Eu tinha uma equipe show de bola! Gente comprometida, talentosa e acima de tudo, divertida pra cacete.

Depois que fui convidada a me retirar do recinto profissional em questão, soube que cada teve uma sorte diferente. E essa semana eu retomei contato com uma das meninas daquela época. Ela teve uma gravidez tubária, passou semanas complicadas em repouso até que conseguiram interromper o crescimento do embrião. Que dózinha! Agora ela está afastada do trabalho por motivo de saúde, “pelo INSS” como dizem no jargão profissional e pelo que tudo indica, quando voltar vai ser dispensada assim como eu.

Qualquer semelhança NÃO é mera coincidência.

 

1 ano

Hoje faz exatamente um ano que eu fui mandada embora daquela empresa cujo nome não vou citar e que minha vida virou de cabeça para baixo.

Muita água já rolou embaixo dessa ponte, mas algumas mágoas ainda permanecem. O tempo já curou muitas feridas, mas vai ser preciso um pouco mais desse remédio para que eu não pense mais sobre isso. E eu sei que esse dia vai chegar.