Arquivo da tag: família

Casa de quem tem filhos x casa de quem não tem

Quando eu vou com a pequena na casa de quem tem filhos, eu consigo relaxar um pouco e curtir a visita. Casa de quem tem filhos é meio parecida com a minha, tem brinquedo espalhado em lugares inimagináveis, tem riscos discretos nas paredes (aqueles que o pestinha não conseguiu tirar), tem prato e copo de plástico e geralmente tem poucos objetos de decoração do tipo frágil-não-pode-tocar-senão-quebra. E tudo bem se rolar uma baguncinha extra, uma massinha de modelar grudada no chão, caixa de brinquedos revirada no meio da sala. E costuma rolar algumas várias interrupções na conversa pra responder mil perguntinhas infantis, pra ver qual foi o machucado da vez ou pra apartar disputas por brinquedos. No final da empreitada os adultos geralmente estão exaustos, mal conseguiram conversar, mas dá uma sensação muito boa de tempo bem investido e de laços estreitados.

Casa de quem não tem filhos com a pequena a tiracolo é sinal de estresse… Ela fica entediada, pois rola pouca interação. Quem não tem filhos geralmente tem pouca disponibilidade pra conversar com criança, responder as mesmas perguntas vinte vezes, sentar no chão pra jogar qualquer jogo bobo. Quem não tem filhos tem o hábito de ignorar as gracinhas e macaquices da pequena e jogá-la pra escanteio com frases do tipo “senta ali pra ver televisão enquanto a tia conversa…” E nunca quer brincar de verdade com jogo nenhum, e não quer ver aquela coisa bobinha que ela já sabe fazer, mas fica toda orgulhosa de mostrar. Além disso, mãe fica tensa tentando dar atenção para as macaquices enquanto tenta terminar a conversa e distribui muitos nãos, afinal não pode mexer nos bibelôs de vidro que a pessoa distribuiu pela casa, não pode pular no sofá ou desarrumar a ordem das almofadas. E ao ficar entediada ela começa a se comportar mal, demonstrando que tá de saco cheio de estar ali sem nada interessante pra fazer ouvindo um “não pode” atrás do outro.

E aí tá feita a merda. Aí tem birra, choro, resmungadas e mais estresse. E mãe vendo caras assim meio “que saco de criança mal criada” e querendo sumir. Isso quando não rola alguma pergunta do tipo “ela é sempre agitada assim?” Ou pra finalizar com grande estilo, falam de como se deve educar uma criança. Como de praxe, meu intuito não é dizer quem está certo ou quem está errado. Quem não tem filhos tem a sua realidade e não dá pra exigir um comportamento parecido com o de quem é pai ou mãe.
Essa reflexão surgiu pra mim como uma forma de acalentar meu coração angustiado depois de uma visita um pouco desastrosa. Ninguém tem culpa, só ficou claro que, acima de todos, quem menos tem culpa é Jamile.

Digo isso porque tenho uma tendência a supervalorizar os momentos do tipo “pisada de bola” e fico me perguntando coisas como “onde errei? O que podia ter feito diferente? O que detonou aquelas reações?” E foi quando entendi que do ponto de vista da pequena, aquela visita foi uma grande roubada. Na volta pra casa conversamos, parabenizei-a pelos poucos pitis e dei um puxãozinho de orelha pelos momentos de desobediência. Perguntei se ela tinha gostado do passeio e ela disse, num tom meio magoado, que ninguém quis brincar com o jogo que ela levou. E foi aí que me dei conta de que ela (e em segundo lugar eu mesma) é quem menos tinha aproveitado. Tá explicado o chororô, a desobediência, as cenas. Há que se considerar isso no futuro.

Anúncios

A nova rotina familiar

A partir da mudança no meu esquema profissional, tivemos que nos reorganizar aqui em casa com a rotina da família. E tenho que confessar que eu A-DO-REI a nossa nova ordem mundial. Acho que ficou bom pra todo mundo e eu me sinto menos sobrecarregada.

O meu horário oficial, a partir da próxima semana, será das 14h às 20h, mas por enquanto estou trabalhando das 13h às 19h por causa do treinamento para a função. Por conta disso, marido agora é o responsável por buscar Jamile na escola todo santo dia. Ele sai do trabalho por volta das 18h, às vezes consegue sair antes, pega ela e quando eu chego em casa ali pelas 20h ela já jantou e está cheirosinha em seu pijama. Tenho que confessar que tive que me habituar a largar as rédeas e deixar tudo por conta do marido. Não que não haja confiança nele, pelo contrário, ele super dá conta de cuidar dela com louvor. Inclusive ele vem com um “plus-a-mais-adicional” que é o fato de curtir brincadeiras enérgicas, joga bola, faz mil cócegas, pendura no teto, arrasta pela casa… coisas que Jamile adora e que eu não sou muito de fazer. Mas eu sou controladora, gentes! E me sentia perdida e pelada nas primeiras semanas ao perceber que eu não tinha que me preocupar mais com aquela parte do dia. Além de sentir uma puta falta dessas tarefas, tomar banho junto, pensar numa comidinha nutritiva, natural, etc… A gente se estressa pacas, é cansativo, mas fazer essas coisas faz parte do exercício da maternidade, faz parte do amor que você dá. E eu sentia falta de dar esse amor…

Agora já relaxei e acho revigorante chegar em casa e me deparar com boa parte das tarefas já realizadas por outra pessoa. Até porque, nem todo dia marido está iluminado o suficiente para fazer janta… Tem dias que ele espera eu chegar pra gente encarar uma pizza. Dá pra dar um desconto, afinal eu também fazia isso. Acho muito curioso esse estereótipo do pai que não faz nada, que “não sabe cuidar do filho”. Juro que não consigo entender esse tipo de atitude por parte dos casais. Ano passado tive que fazer uma viagem de 3 dias a trabalho e quando eu falei que ficaria todo esse tempo longe as pessoas perguntavam assustadas “e como você vai fazer com a Jamile?” A resposta era a mais óbvia possível, galera, minha filha tem pai! E ele dá banho, dá leitinho de manhã, dá janta (mesmo que apele para o miojo de vez em quando), bota pra dormir, conta história e ainda brinca com ela muito mais do que eu. Normal, né… Afinal pai é pra essas coisas. Além disso, essa mudança toda vai contribuir muito para fortalecer a relação deles e para criar uma cumplicidade única entre os dois. Isso é importante!

Outra coisa bem legal da nossa nova rotina é que Jamile fica comigo em casa de manhã alguns dias da semana, então dá pra “exercer a maternidade” numa boa mesmo perdendo aqueles momentos da chegada da escola. Primeiramente eu tinha definido que ela ficaria comigo de manhã às 2as, 4as e 6as. Reservei as 3as e 5as para fazer meus freelas e aulas de inglês. Mas a coisa acabou não funcionando assim tão bem como eu gostaria. E entrei em crise… E marido me cobrou (lógico). E chorei e descabelei e me senti péssima, pois eu sou dramática. Percebi que 2 dias na semana não tava dando pra eu fazer todas as atividades online que eu me propus e ainda preparar aulas para os meus aluninhos. Acabava passando os outros dias irritada por ter que me desdobrar entre o computador, o almoço e dar atenção pra Jamile ao mesmo tempo. Semana passada decidi entender que o mundo nunca é perfeito, né… E que é melhor que eu fique menos dias com ela de manhã desde que eu realmente fique só com ela sem preocupações, sem neura, sem irritação. Sendo assim, Jamile agora vai pra escola o dia inteiro às 3as, 4as e 5as. Reservei as 2as e 6as porque né… segunda-feira é difícil pra todo mundo e sexta é sexta, minha gente! Mas esse calendário não é fixo, pois a partir da próxima semana eu vou entrar na escala de fim de semana lá no meu trabalho e quando eu trabalhar no sábado ou domingo, tenho folga em dias úteis. Ou seja, tudo beeeem flexível exatamente como eu sonhei.

O legal de ter alguns dias da semana só pra mim é que agora eu finalmente consegui voltar a ter paz no banho. Toda mãe que me lê vai entender a delícia que é quando você pode se dar ao luxo de tomar um banho demorado, sem interrupções. E quando você consegue sair do banho e passar seus creminhos numa boa? E escolher a sua roupa tranquilamente? Não tem preço! Estou vivendo isso de novo e estou adorando! Quando Jamile está comigo de manhã, o esquema é aquele de sempre, correria, tem dia que saio sem brinco e maquiagem (quase sempre) e torço pra não estar usando roupa manchada ou do avesso. E lá vamos as duas com mochila, casaco, bichinho de pelúcia pegar o ônibus pra escola. Outra mudança importante, agora marido fica com o carro, pois tem que buscar a pequena na saída. Consegui emagrecer 2 quilos com essa brincadeira de pegar ônibus e andar por aí. Só benefícios, gente!

 

E agora, Maurício de Souza?

No finalzinho do mês de julho o bicho tava pegando geral aqui em casa… Mamãe num estresse absurdo com a convocação para o concurso, correria atrás de exames médicos admissionais e documentos para contratação, além de muitas dúvidas sobre os rumos da minha vida a partir de agora. Que horário de trabalho definir? E a escola da Jamile, como fazer? E os horários do marido? Pra piorar tudo papai também estava ansioso e a nossa irritação e desencontro de sentimentos acabou extravasando geral em casa.

Percebi que Jamile, depois de um período considerável de tranquilidade e bom comportamento, voltou a apresentar atitudes mega reprováveis. E isso veio à tona justamente nesse mesmo período conturbado da família. Na minha interpretação ela estava absorvendo o estresse generalizado da casa e estava rolando uma regressão, ou seja, voltou a fazer coisas chatinhas que ela fazia quando era menor. Regrediu na fala, começou a falar palavras erradas como “eu quelo”. Era gritaria pra tudo nessa vida, provocações, tentativas de bater em mim e no marido quando contrariada, a agitação dela se elevou à décima potência, qualquer “não” que ela escutasse era motivo para um show com direito a gritos, chutes, pontapés, caída no chão… Socorro! ETs malvados sequestraram minha filha e colocaram uma capeta no lugar!!!

Lógico que tudo já estava tenso e ficou ainda mais tenso, perdemos a paciência inúmeras vezes, por um momento fui tudo o que eu não queria ser como mãe… Já falei antes e repito, estou longe (anos luz) de ser perfeita e sou um ser humano como todos os outros. Pedi ajuda aos universitários (Alyne, minha amiga pedagoga de plantão) e estava seriamente pensando em agendar uma conversa com um psicólogo.

Foi quando percebi, ainda no olho do furacão emocional,  que ela estava numa fase “Turma da Mônica”, tudo o que ela pedia para ver era relacionado aos personagens da turma da Mônica. Na hora fiquei feliz e achei muito bacana ver que a minha filha, uma outra geração de criança, gostava dos mesmos personagens e estórias que eu curti tanto quando eu era pequena. Agora acompanhem comigo a cena… Um belo dia marido chega indignado e me diz que não sabe mais o que fazer, pois estava sentado no sofá, Jamile se aproxima dele sem falar absolutamente nada e senta-lhe o Popó (o bichinho dela preferido) na cabeça! De onde veio essa agressão, meu Deus! O que vamos fazer com essa menina?

Como o consenso aqui em casa é que sempre que um estiver irritado, o outro assume a dianteira com ela, lá fui eu conversar com a pequena. Depois de um belo sermão ela me pede pra ver a Turma da Mônica no tablet e enquanto eu assistia o desenho com ela, tudo ficou claro! Jamile não estava regredindo, ela estava imitando a Mônica e o Cebolinha!!! Ela via a Mônica rodar o coelho Sansão pelo ar e acertar cacetadas na cabeça dos amiguinhos! E qual é a marca registrada do Cebolinha? Falar “elado”. Gente, quase bati minha cabeça na parede 200 vezes quando percebi isso… Para saber se era realmente isso que estava acontecendo fiz algumas perguntinhas, “assuntei” com ela sobre o assunto e realmente ela estava imitando o comportamento dos personagens do desenho. Foi preciso mais algumas conversinhas, não a proibi de assistir a Mônica, mas dei um jeito de direcionar a atenção dela para outras coisas e voilà! O comportamento melhorou dia após dia.

Quando na minha vida eu ia imaginar que a Turma da Mônica seria impróprio para a minha filha??? Sai dessa agora, Maurício de Souza!

Momento de transição

Jamile agora tem 3 anos completos (e um pouco mais) e é um ser humano totalmente diferente do que era. Ela está cada vez mais independente, mais falante e tenho a sensação de que a cada dia descubro nela algo novo, uma nova capacidade de agir, de fazer, de ser. Marido outro dia comentou que agora ela é uma “mini-pessoa”, ou seja, ela tem vontades e desejos, sabe como expressá-los e sabe como lutar pelo que quer.

Estou curtindo demais essa nova fase, pois agora travamos diálogos mais elaborados, conversas mais profundas e sinto que todo o meu esforço anterior de me comunicar com ela está rendendo frutos. Mães que me leem, please, perseverem! Se comuniquem com seus pequenos, pois em algum momento futuro isso tudo vai vir à tona. Elenquei alguns pontos altos dessa nova fase da pequerrucha e que gostaria de compartilhar com vocês:

1.  A evolução das necessidades fisiológicas

Jamile não desfraldou completamente, ela ainda usa fraldas durante a noite e esse é assunto para outro post, mas estamos trabalhando agora a transição dela do penico para o vaso sanitário e a coisa vem fluindo muito bem. Minha gente, não tem coisa pior do que limpar penico e estamos aos poucos aposentando o dito cujo para entrar numa nova era. Como na maternidade nem tudo são flores, desde que Jamile desfraldou não há banheiro público dessa cidade que eu não tenha tido o prazer de conhecer. E desenvolvi as mais diversas habilidades como, por exemplo, segurá-la acima do vaso sanitário suspeito, prender a respiração por tempo indeterminado (intercalando com respirar pela boca) e ter um estômago de ferro. Coisa linda da maternidade que ninguém te conta é quando você precisa deixar o seu prato delicioso e cheiroso na mesa do restaurante e se meter num banheiro fedido, ficar com a cara praticamente metida dentro da privada e depois elegantemente terminar o seu jantar. Coisas da vida, né. Agora, além de abandonar o penico, estamos começando a trabalhar a independência dela em fazer tudo o que é preciso no banheiro sozinha (ou melhor, com pouca supervisão). E vamos que vamos!

2. A transição dos copos

Outra troca estratégica que estamos tocando lá em casa é a mudança dos copos com tampa estilo bebê para os copos de verdade. Estamos priorizando os copos de plástico por questões de segurança, mas quando não tem jeito, ela usa de vidro sob marcação cerrada supervisão. Essa foi a primeira ação que realmente me fez pensar “epa, minha filha não é mais tão pequenininha assim” e isso me encheu de orgulho.

3. A troca de roupa

Ando incentivando-a a exercitar sua independência na hora de tirar e colocar a roupa. Tirar tem sido bem mais fácil do que colocar, mas aos poucos evoluímos nesse quesito também. Tenho investido em tênis e calçados com velcro pela sua praticidade e  super elogio quando ela consegue colocar alguma peça sozinha. Só quem já teve que calçar uma criança chiliquenta usando somente uma das mãos entenderá o ódio que passei a nutrir pelos tênis infantis com cadarço.

4. Vocabulário

Nossa pequena avança no uso das palavras. E como gosta de falar! A fase de trocar o R pelo L já passou na maioria das palavras, agora já escuto um R beeeem pronunciado. Porém ela ainda escorrega na concordância e nos pronomes: “o brinquedo minha”, “esse é minha” e coisas do gênero. Normalíssimo, né. Começou a aprender as letrinhas de maneira bem sutil na escola e eu tenho incentivado isso em casa. Ela já sabe apontar quais as letras que compõem o seu nome e consegue reconhecê-lo quando o vê escrito, mas não sabe falar os nomes de todas as letras ainda.

5. A interação social

Pelos meus estudos (cof, cof…falou a estudiosa) Jamile tem muitas características de uma personalidade extrovertida, que se joga nas atividades sem medo de ser feliz e que retira sua energia do mundo exterior. Apesar disso, ela tem um quê de timidez quando se vê numa situação em que é o centro das atenções. No aniversário dela pudemos observar o quão incomodada ela se sentiu durante o parabéns, parecia ter vontade de se enfiar debaixo da mesa. Mas no dia a dia, aquela menina desconfiada e arredia se tornou “a simpática” do condomínio, da natação, da escola, everywhere. Por onde passamos ela fala oi, acena, chama pra brincar junto, socializa geral. E eu, pessoa que vive numa concha, acho o máximo!

Além desses pontos tenho percebido uma personalidade única em formação e é uma delícia acompanhar esse desabrochar (para o bom e para o ruim, diga-se de passagem). Quando falo que estou gostando demais dessa nova fase, os pessimistas de plantão fazem o favor de dizer “você vai ver só quando chegar a fase dos 4 (ou dos 5, 8, 10, 15, enfim…) Detesto escutar essas “profecias”. Que venham todas as fases! Cada uma tem seu sabor e seus desafios.

O sempre e o nunca e o controle do meu monstro interior

Como o desafio de manter um relacionamento saudável, com filhos ou não, nunca tem fim, tenho dedicado uma certa quantidade de tempo a isso. Na verdade estou me dedicando a uma re-educação de mim mesma com o objetivo de transformar o que me cerca. Profundo isso, não? A frase “seja a mudança que você deseja para o mundo” nunca se tornou tão real para mim ultimamente. Percebi que muito da dinâmica da minha família gira em torno das minhas reações e que eu precisava trabalhar sobre elas urgentemente. Mais uma vez eu afirmo que isso não significa que eu tenha me tornado um ser iluminado da noite para o dia e que simplesmente parei de cometer erros. Definitivamente isso não é verdade. É uma aprendizagem e como toda aprendizagem humana, ela não é linear, ou seja, eu vivo às voltas com momentos dos quais eu não me orgulho.

O primeiro passo que eu resolvi dar foi parar de utilizar as palavras SEMPRE e NUNCA. E o que me despertou para isso foi um texto bacana que eu encontrei nas minhas andanças pela internet. Como sempre, li, gostei e não anotei a fonte, nem sequer adicionei aos meus favoritos. Shame on me… Mas os principais pontos do texto e que me fizeram refletir foi o quão nocivo é usar essas palavras numa discussão. Confessem, é a coisa mais comum do mundo você se irritar com algo e a primeira coisa que vem à mente é dizer “puxa vida, você SEMPRE faz isso… você SEMPRE se comporta assim… você NUNCA faz o que eu peço… você NUNCA ajuda…” E a grande questão é que geralmente essas generalizações não condizem com a verdade. E é péssimo de escutar. E quanto mais você diz isso, maior é a chance de começar a ouvir também. É um ciclo vicioso de cobrança e energia negativa. E isso acontecia o tempo todo aqui em casa, até que um belo dia comecei a escutar essas frases também e percebi como é ruim.

É um exercício diário. Não existe mágica. A todo momento essas frases explodem na minha cabeça, mas tenho conseguido me controlar a tempo de não dizê-las. O que ajuda é pensar justamente na inverdade que elas representam. Sim, eu estou irritada porque ele não ajudou com as tarefas e eu me sinto sobrecarregada, mas ele geralmente ajuda e hoje foi um deslize. Tem dias que eu também não quero fazer nada. Sim, ele tem o hábito de largar (alguns) pares de meias espalhadas por aí, mas ao invés de falar “caramba, você SEMPRE deixa suas meias por todo lado e eu tenho que ficar catando…” eu experimentei falar “quero te pedir um favor, será que você pode parar de deixar meias espalhadas pela casa, pois não tenho como saber quais estão limpas e quais estão sujas?” E funcionou.

O segundo passo que tenho procurado seguir, e esse eu tenho usado principalmente com a Jamile, é o de identificar os meus momentos de irritação antes de explodir. Todo mundo percebe quando chega no limite da razão. O que geralmente acontece é que a gente deixa o sentimento ruim transbordar até literalmente entornar o caldo. E o caldo sempre entorna sobre aqueles que estão mais próximos e que deveríamos amar mais e cuidar mais. É muito curioso isso, mas quando a gente se sente mal e irritado, a tendência é querer extrapolar a negatividade para todos que nos cercam. Algo do gênero: se eu estou de mal com a vida, não é permitido que ninguém fique feliz perto de mim!

Como é que se evita isso? Não existe receita mágica again. É outra exercício diário de auto-conhecimento. Quando percebo que estou irritada, já começo a trabalhar mentalmente esse sentimento, procuro pensar em outras coisas, procuro analisar se aquilo que está causando essa irritação é assim tão importante mesmo e se existe uma alternativa caso algo que eu considere fora do script aconteça. Exemplo: estou atrasada pra sair e Jamile está causando por algum motivo que eu considero bobo como querer levar todos os brinquedos do mundo junto com ela para a escola. Nesse momento, minha primeira reação é apressá-la para sair de qualquer jeito, aos trancos e barrancos. Quando estou num dia muito iluminado, controlo a irritação pensando que 10 minutos de atraso não vão matar ninguém e negocio os brinquedos que ela pode levar. Mas existem aqueles dias de trevas em que a irritação domina e é difícil reconhecer o ponto certo de parar, refletir e optar por outro caminho. Nesses casos, quando percebo que eu vou mesmo explodir, pois já reagi mal uma ou duas vezes rosnando para os entens queridos, peço que o marido tome o controle da situação. Sim, eu opto por sair de cena antes que cause um estrago do qual vou me arrepender terrivelmente.

E agora me perguntam: é fácil? Não… O caminho que eu indico é fazer uma reflexão profunda sobre você mesma. O que é que você deseja no seu dia a dia? As pessoas ao seu redor estão felizes? Você está feliz? Você passa mais tempo de cara feia do que feliz? Como é a dinâmica da sua vida? Você está satisfeita com essa dinâmica? E a partir disso, encontrar as pequenas ações que você pode tomar para mudar o cenário. Essas duas que eu contei nesse post foram aquelas que se encaixaram nos meus objetivos pessoais de tornar o meu ambiente familiar melhor. E a cada dia eu sigo contabilizando pequenos sucessos e fracassos, afinal ninguém é perfeito. Boa sorte na sua caminhada!

3 anos de pura alegria!

Ano passado Jamile chegou em nossas vidas às vésperas de completar 2 anos. Corremos feito loucos para montar uma festinha de aniversário e chá de bebê em menos de 15 dias. Tudo foi feito com muito amor, mas a coisa saiu meio que ligada no automático, do jeito que deu e eu acabei falando que jamais faria festinha de aniversário pra ela novamente. Entretanto o tempo passou e eu fui me encantando com a ideia de fazer uma festinha do jeito que ela merece, com cuidado, atenção aos detalhes e amor redobrado. Principalmente considerando que, diferente do ano passado, desta vez tive tempo suficiente para me organizar e planejar. Sendo assim, o primeiro passo foi definir as premissas básicas do evento:

1. O tema da festa não seria baseado em um personagem
Ano passado fizemos tudo com a cara da Galinha Pintadinha, pois era o personagem que ela mais gostava, mas esse ano quis explorar temas menos datados e que permitissem maior liberdade criativa e menor consumismo. A festinha da Jamile foi no estilo picnic com decoração baseada em toalha xadrez, flores, bandeirinhas e cataventos.

2. A festa vai teria cara de festa caseira
Festa em buffet é bacana, prática e bom pra quem pode se dar ao luxo de pagar, mas a minha festa foi no melhor estilo vintage. Comidinhas saudáveis feitas em casa, suco, salada de frutas e gelatina, sanduichinhos de pão de forma, bem como se fazia antigamente. Salgadinhos fritos são práticos e eu, particularmente, adoro uma coxinha, mas eles ficam borrachudos quando esfriam, dá uma trabalheira ficar requentando, não são nada saudáveis e cá entre nós, é o que todo mundo oferece. Por isso, cortei do cardápio. Refrigerantes foram abolidos também, pois pretendo jamais oferecer coca-cola pra qualquer criança desse mundo. E os adultos não morreram ou tiveram crises de abstinência por terem passado 3 ou 4 horinhas bebendo suco e água. Marido chiou bastante no início, achou diferente demais, radical demais e que ia faltar comida. Mas não faltou, pelo contrário, sobrou!

3. A festa vai ser DE e PARA criança
Essa decisão impactou desde o cardápio até a lista de convidados, pois como a ideia era fazer tudo bem hand made, não tive condição de convidar todos os amigos, conhecidos e parentes. Sendo assim, priorizei aqueles que têm filhos, até porque sei que festinha infantil é um saco para quem não tem criança pra levar, e aqueles que são próximos da Jamile e que mantêm alguma relação com ela. Ano passado convidamos todas as pessoas próximas e que super consideramos porque queríamos apresentá-la aos amigos e por conta de ser um chá de bebê também, mas agora tive que esquematizar diferente. Portanto, amigo(a) querido que não foi convidado dessa vez, por favor não se magoe, mas a decisão teve que ser estratégica e racional e isso não signica que eu não tenha consideração por você.

Definidas essas diretrizes, parti para as pesquisas acerca do cardápio, decoração, lembrancinhas, tudo que eu tivesse condição de fazer por minha conta sem o risco de um esgotamento nervoso ou um infarto. Comecei essa fase ainda em dezembro, ou seja, 4 meses antes do evento. O Pinterest foi fonte de muita inspiração e o Mr. Google, como sempre, um grande aliado. Encontrei muitas dicas de cardápio, cálculo de quantidade de comida e bebida a ser servida, muitos PAPs com altos níveis de detalhe. Hoje em dia, com o Google e o YouTube, não tem nada que você não aprenda a fazer sozinho.

Diante de tanta pesquisa optei por servir bebidas em suqueiras, tá super na moda, fica diferente, bonito e prático, pois funciona na base do self-service, só precisa repor de tempos em tempos. Nada de ficar correndo louca pra servir refrigerante quente aos convidados. Fora que não tem nada que embeleze garrafas pet, não é verdade? Tinha resolvido comprar duas delas, apesar de saber que depois da festa usaria pouco, quando uma grande amiga me emprestou três! Salvou a pátria grandão!

Ao longo dessas pesquisas aprendi que dá pra fazer uma decoração com balões praticamente profissional em casa, basta contar com uma certa ajuda e uma máquina de encher (outro item que uma amiga emprestou – ah, o que seria de mim sem os amigos!). Encontrei até mesmo kits prontos com printable materials super fofos que era só baixar e imprimir. Ah, e o melhor, é possível fazer tudo isso sem ter que vender um rim.

Definidos o tema, lista de convidados, cardápio e lembracinhas, era o momento de quantificar tudo, montar as listas de compras e acertar o orçamento previsto. Resolvi ir comprando as coisas aos poucos, mês a mês para não pesar no bolso e isso me ajudou a ter maior clareza do que eu precisava me permitindo até mesmo mudar de ideia algumas vezes e trocar alguns itens. A parafernália de copos, pratos e demais plásticos fui comprando em lojas especializadas em embalagens pela enorme variedade oferecida e preços camaradas. Aqui em Curitiba existem várias lojas desse tipo perto do Mercado Municipal, você tem vontade de comprar tudo o que vê! Visitei algumas lojas de artigos para festas também, pois foi onde consegui encontrar os balões com melhor preço. As toalhas das mesas foram feitas de TNT, opção prática e barata. Tive um pouco de dificuldade em encontrar a estampa xadrez, o único local que achei cobrava mais caro pelo metro, mas era o que tinha no momento e comprei mesmo assim. Alguns outros itens vieram de lojas de 1,99.

As lembrancinhas foram ponto de muita dúvida. Não queria de jeito nenhum entregar saquinhos plásticos cheios de bugingangas descartáveis e doces. Por um momento tive vontade de abolir o presentinho, existe até uma corrente de mães que é super a favor de não dar lembrancinha em festa de aniversário. Mas, no final das contas, acaba sendo uma maneira gentil de agradecer a presença de quem se dispôs a ir comemorar com você. Nas minhas pesquisas me apaixonei por mini-cestinhas de picnic fofíssimas e delicadas e tudo de lindas! Mas quem disse que encontrei? Depois de muito “bater perna” pelos sites acabei resolvendo fazer mini-cookies e entregá-los em saquinhos decorados. É doce, mas é feito em casa, é mais saudável e é útil.

Outro drama foi pensar no principal personagem da festa depois da aniversariante, ou seja, o bolo. A primeira ideia era encomendar em uma boa confeitaria um bolo simples e bonito. Nada de pasta americana, nada no estilo cake boss. De repente, aos 45 do primeiro tempo (por isso é bom planejar com antecedência), lembrei daquele bolo kit kat que virou febre nos últimos tempos e corri pesquisar para saber se euzinha conseguiria fazer um desses by myself. Aqui sou obrigada a abrir o coração e contar que acabei decidindo por fazer algumas trocas estratégicas. O pão de ló seria comprado pronto dada a minha total incapacidade (#fail) de fazer um bolo decente (e olha que eu tentei…) e o kit kat foi substituído por tubetes cobertos de chocolate por causa do preço. Como minha sogra estava aqui com a gente e manda bem na cozinha, ela se dispôs a fazer o bolo e o recheio, cobertura e montagem foram totalmente de minha autoria!

Gostei do resultado final e, apesar de cansativo, foi gratificante, pois saiu tudo como eu tinha imaginado. Como era de se esperar, apesar de eu ter sido bem criteriosa com os convidados e ter confirmado e re-confirmado a presença, algumas pessoas não foram à festa. Isso vai servir para eu repensar a lista do próximo evento e priorizar outros convidados.

Para finalizar, não vou citar links para sites que me ajudaram a pensar e organizar essa festa, pois foram muitos. Mas vou dar dicas de termos que eu usei para pesquisa no Google e Pinterest e que me levaram a tudo o que eu precisava. No Google: festa infantil picnic, decoração de festa infantil picnic, bolo kit kat, bolo com tubetes, como fazer decoração com balões, como fazer decoração com bandeirinhas, cálculo de comida e bebida para festa infantil, como fazer pompom de papel de seda, lembrancinhas para festa infantil, cestas de vime, suqueiras onde comprar/alugar, picnic printables. No Pinterest: picnic party, children’s party, kit kat cake. E aproveitem para olhar os related pins que também trazem muitas fotos relacionadas à imagem que você selecionou.

Marido amado se surpreendeu com minha capacidade de organização e acha que levo jeito pra coisa. Ele acha que descobri um talento escondido! Quem quiser me contratar, estou às ordens! Vou postar algumas fotos e depois coloco mais!

 

 

E a felicidade, o que é?

Essa semana foi o momento de refletir sobre o meu passado por conta de alguns acontecimentos recentes. Sabe aquele pensamento que puxa outro e que se desdobra em outro e que faz com que você consulte os arquivos da memória? E então você percebe que, analisando essas lembranças sob uma ótica mais madura e com o entendimento que você tem hoje, as coisas eram bem diferentes do que você imaginava.

Hoje analiso os meus pais. O legado que eles me deixaram é a de uma estrutura familiar sólida, pai e mãe que raramente divergiam um do outro e se o faziam era sempre a quatro paredes, no aconchego do quarto de dormir. Não havia espaço para manobras infantis ou manipulações para conseguir o que queríamos. Meu pai e mãe eram uma figura só, o que um dizia o outro concordava. Foram mais de 30 anos de casamento até que a morte infelizmente os separasse. Firmes, focados, educação à moda antiga, sem muito diálogo, preparando-nos para um mundo cão. Meus pais valorizaram e enfatizaram muito o lado profissional e a nossa independência financeira. Observando por esse ângulo eles foram excelentes, pois somos fortes, batalhadoras, centradas, pé no chão. Mas não fomos educadas (nem mesmo incentivadas) a encontrar alguém e formar família.

Me lembro muito bem de ouvir minha mãe falar (mais de uma vez, inclusive) que se ela pudesse voltar no tempo jamais teria se casado ou tido filhos. Bom demais ouvir isso da sua própria mãe, num comentário corriqueiro, como se falasse do tempo ou do preço da batata. Eu até tentava imaginar por que ela falava desse jeito, mas a minha cabeça de criança não dava tanta importância assim para o ocorrido e eu seguia a minha vidinha de menina.

Agora que sou mãe, essas cenas de infância me fazem refletir muito sobre o meu passado e chego à conclusão de que meus pais foram pessoas muito infelizes. Entendo que eles fazem parte de uma geração onde as pessoas se casavam por conveniência e onde o casamento era uma instituição indissolúvel. Tento imaginar minha mãe aos 20 e poucos anos de idade, deixando sua cidade natal, a sua família e suas origens, com duas crianças pequenas para seguir o marido em busca de uma vida melhor em São Paulo. Tento imaginar seus medos, suas frustrações, suas batalhas. Faz sentido querer apagar isso tudo e desejar a chance de voltar atrás e fazer outras escolhas. Mas as responsabilidades diárias eram tantas, o casamento indissolúvel, mais uma criança pra cuidar… E a vida foi tomando forma, e o que não tem remédio, remediado está.

Essa frustração foi sendo transferida para nós. Se foi proposital eu não sei, talvez fosse algo muito mais forte do que ela. Observei isso quando minhas irmãs decidiram se casar e receberam olhares de desaprovação e conselhos desencorajadores. Quando meus sobrinhos nasceram a coisa não ficou mais fácil, pelo contrário, o descontentamento foi ainda maior. Não que as crianças tenham sido pouco amadas, pelo contrário. Meus pais foram avós muito presentes e carinhosos, mas pairava no ar certa decepção com as escolhas das filhas. Tanta dedicação para que elas ganhassem o mundo e elas resolvem se casar e ter filhos. Como entender?

Quando chegou a minha hora de tomar essas decisões, minha mãe já não estava mais entre nós. Confesso que senti certo alívio. Meu pai foi menos opressor quando eu o informei que tinha encontrado a minha cara-metade, mas a receptividade da notícia de que queríamos filhos foi quase nula. Percebo que para ele um filho significa um peso, um sacrifício, um incômodo. Como não pensar que foi assim que ele recebeu cada uma de nós em sua vida? O primeiro conselho que ele me deu quando Jamile chegou foi: não se esqueça de seu marido. Mais sexista impossível.

Por fim, ao me dar conta disso tudo e de como esse cenário familiar me influenciou, sinto uma grande tristeza. Sinto tristeza por eles, pela minha mãe, pela vida que ela teve que se contentar em viver. Sinto tristeza por eles não terem conseguido virar a mesa e encontrar a felicidade no meio de tanta dificuldade. E percebo que eu só encontrei um caminho diferente por causa do esforço que eles fizeram para que eu tivesse oportunidade de conhecer um mundo que foi negado a eles. A minha felicidade em prol da infelicidade deles. No fim das contas isso é que os pais fazem. Não há culpados.