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A minha mãe

Hoje me deu uma saudade imensa da minha mãe. Acho que foi porque eu passei um tempo olhando o calendário para tentar programar as minhas férias e tive que anotar uma gravação de um projeto de EaD no dia 12 de setembro. E 12 de setembro é o dia do aniversário dela. E me deu um nó na garganta e uma dorzinha no peito. Esse ano vai completar 9 anos que ela se foi. E parece que foi ontem. E eu ainda choro às vezes. E eu ainda não consigo entender por que as coisas têm que ser assim.

A minha mãe era uma pessoa muito especial, boa gente, consciente do seu papel no mundo. Ela criou uma família autêntica, teve 3 filhas que ela encaminhou muito bem na vida e mais uma porção de filhos postiços que ficaram órfãos dela nesse mundo. Não, ela não era perfeita. Já faz tempo que eu aprendi que os pais “são crianças assim como nós”. Eles também erram, eles exageram, eles metem os pés pelas mãos. Mas eles fazem tudo querendo acertar e querendo cuidar daqueles que amam. Eu queria tanto que o filho que eu um dia vou ter tivesse minha mãe por perto. Ela foi a avó mais legal do mundo. Que bom que os meus sobrinhos mais velhos tiveram a oportunidade de curtir a minha mãe.

Quase 9 anos se passaram e ainda é sofrido pensar em todas as coisas que eu vivi sem que ela estivesse ao meu lado. Pelo menos fisicamente. Mãe, o amor que eu tenho por você é seu.

Na parede da memória

Algum tempo depois do falecimento da minha mãe eu fiz um blog chamado Tudo sobre minha mãe. Eu escrevia lembranças, sentimentos, tudo o que dizia respeito à ela e sua interferência na minha vida, no meu jeito de ser e na minha história pessoal. Era uma forma de mantê-la viva e de colocar pra fora o sentimento de perda que eu tinha (e ainda tenho). Mas com o passar do tempo (ah, o tempo, sempre esse grande curador dos males) eu não senti mais necessidade de continuar com o blog. Mas vira e mexe eu me lembro de alguma coisa engraçada ou só alguma coisa que a minha mãe fez ou costumava falar.

Ontem quando fui ao salão eu me lembrei do dia da minha formatura de 8a série e que nós duas fomos ao salão de beleza do nosso bairro fazer as unhas. Pois é, eu sou de um tempo em que não se levava crianças de 4 anos para o salão para pintar unhas e fazer escova. Pra dizer a verdade, eu nem me lembro quando foi a primeira vez que eu entrei num salão para fazer outra coisa que não fosse cortar o cabelo. Principalmente nesses salões de bairro que geralmente são um puxadinho na casa da manicure.

Enfim, nesse dia em questão eu estava radiante, pois era o primeiro evento formal que eu participava, tinha mandado fazer um vestido especialmente para a ocasião e ainda ia fazer as unhas! Chegamos ao salão, minha mãe foi a primeira e quando chegou a minha vez, ela simplesmente disse que não era para tirar minhas cutículas. A moça que fizesse qualquer coisa, pintasse, mas não era para tirar as cutículas. Me lembro de ter ficado chocada e absurdada, fiz até uma ceninha na frente de todas as moças presentes, mas minha mãe não arredou o pé, como sempre.

A manicure então fez o favor de levantar minhas cutículas, o que fez minhas unhas ficarem ridículas, mas não tocou no alicate e eu saí do salão com um bico maior que o mundo. Enquanto caminhávamos de volta pra casa, minha querida mãe então resolveu me dizer que não deixou a manicure fazer as minhas unhas porque ela machucou os dedos dela arrancando os famosos “bifes” das suas unhas. Ou seja, ela quis me proteger! E eu, no auge dos meus 14 anos, continuei emburrada e indignada, achando aquilo tudo uma bela porcaria. Ontem eu me peguei lembrando dessa história e senti um calorzinho no peito. Pra você ver o que é ser mãe…

Mais um ano de ausência

Oito anos é tempo suficiente para esquecermos algumas mágoas, para nos prepararmos para mudanças, para começar e terminar um relacionamento, mas não para esquecer o seu cheiro de mãe, a cor dos seus olhos, o tom da sua voz. A caravana não para, mãe… A caravana não para. Tanta coisa pra lembrar, tanta coisa para não me deixar esquecer: os sabores lá de casa, os temperos, os sons, os ditados de família. Só tem uma coisa que eu tento esquecer todos os dias e não consigo: aquele período em que você ficou doente e que as nossas vidas ficaram suspensas. Eu tinha medo até de respirar e ao mesmo tempo eu queria dormir e acordar daquele pesadelo como se tudo não passasse de um sonho ruim. Saudades, mãe. Saudades de ser filha novamente.

Saudades

Faz sete anos que vivemos sem a sua presença e hoje, mais do que nunca, sinto a falta do seu conselho, da sua voz e do seu abraço. Eu ainda choro, mãe, nas noites de insônia, durante o banho ou na frente da TV, escondida para que o marido não veja e me pergunte o porquê.

Eu tento imaginar como teria sido minha vida nesses sete anos se você não tivesse ido embora. Tenho certeza que muitas das minhas escolhas refletiram o fato de você não estar aqui. Não, mãe, você não tem culpa de nada. Você fez o melhor que pode e fez isso muito bem. Eu estou seguindo em frente, dia após dia, sendo forte, batalhadora, nem tão feliz quanto eu gostaria, nem tão bem-sucedida quanto eu acho que devo. Mas vou tocando a vida.

Quando você partiu eu perdi a vontade de muitas coisas. Eu achei que não teria sentido passar por certas coisas sem a sua presença. Recuperei algumas delas e mesmo assim, ainda acho que faltar alguma coisa. Eu me casei e você não me ajudou a montar a minha casa, você não me comprou potes de plástico, não bordou toalhas e panos de prato especialmente para mim. Quando comprei o meu primeiro carro não pude levar você para passear nele. E tantas outras coisas que aconteceram e que teria sido maravilhoso compartilhar com você.

Sinto falta de você, mãe. Sinto falta de ser filha. Hoje eu sou mulher, sou irmã, sou amiga, sou a moça do apartamento 1, mas não sei mais como é ser filha e como é ter alguém pra pedir conselhos ou simplesmente um abraço.

A sua partida deixou muitas marcas em mim. A maior delas é o medo. O medo de perder as pessoas amadas que estão aqui perto de mim e passar por tudo aquilo de novo. E, principalmente, a saudade e a certeza de que existe um buraco imenso aqui dentro que ainda não cicatrizou.