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Estou voltando, ou melhor, redação “minhas férias”

Tá eu sei que tomei chá de sumiço e abandonei o blog por um tempo. Mas tudo será explicado os próximos posts. Por hora, pra não perder a linha de raciocínio, vou encerrar o assunto “viagem ao México”.

(Em off… Passei tanto tempo sem postar que o wordpress inventou até umas ferramentas novas! Onde já se viu?)

A Cidade do México, ou D.F., definitivamente é uma metrópole cultural. Por todos os lados se vê obras de arte, monumentos, esculturas, o que acaba embelezando muito a visão. Além disso, os edifícios de maneira geral são marcantes. Na região central estão concentrados os prédios históricos da época da colonização espanhola, coisa fofa de se ver. Já nos bairros onde funcionam os centros comerciais, os prédios são belíssimos, suntuosos, modernos, de encher os olhos. Eu achei tudo grandioso, uma boniteza só. E como tem museu nessa cidade! São quatro, cinco na mesma quadra, coisa de louco!

Sim, o trânsito é uma coisa de doido e não só por ter muito engarrafamento em qualquer lugar e a qualquer hora do dia, mas principalmente por ser “terra de ninguém”. Senti muita falta de civilidade, de preocupação com o próximo e com o entorno. Fiquei com a impressão de que todo mundo pode tudo, ninguém respeita faixa de pedestre, sinal vermelho, ninguém dá passagem, é uma sinfonia de buzinas. Eu ficava apavorada ao andar de carro, se tivesse que dirigir acho que teria um surto.

Não andei de metrô, mas os ônibus são um capítulo a parte. Existem muitas vans e microônibus por toda parte. Você entra e diz ao motorista onde vai descer e ele te diz quanto vai custar. O valor varia de 4 a 6 pesos. Tem uma outra linha que não tem cobrador, mas o motorista também não pode receber dinheiro, você deve ir com o valor certinho da passagem em moedas e coloca as moedas na maquininha que libera sua passagem. Ah, e caso você se desloque até 5km paga 5 pesos, acima disso paga 6 pesos. Como saber se o lugar para onde você vai está há menos ou mais de 5km? Diga ao motorista onde vai descer e ele diz o valor! As vans e microbuses param em qualquer lugar para o passageiro subir ou descer. Literalmente em qualquer lugar, ou seja, se você parar numa esquina, vier o microbus e você der sinal com a mão, ele para. E isso atrapalha ainda mais o trânsito. E eu morri de rir com o espaço nas poltronas desses microbuses. Gente, sério mesmo, reza a lenda que cabem duas pessoas no banco, mas é tão pequeno que no máximo cabe uma pessoa magra e uma criança. Como eu estava com a minha irmã tudo bem ficarmos apertadinhas naquele banco minúsculo, mas fiquei imaginando dois completos estranhos naquele roça-roça. Que situação! Pra finalizar, os motoristas dirigem como loucos, metem os carros em buraco, desnível, lombada, o que for. Me apavorei, gente! E as frotas em geral de ônibus, vans, táxis, são velhas, cacarecos ambulantes caindo aos pedaços.

A comida. Bom, saí do Brasil achando que iria me matar de comer nachos, a melhor guacamole do mundo e sour cream original. Que decepção… Acho que a minha única e grande decepção nessa viagem foi a comida. Em toda esquina tem duas, três, quatro barraquinhas de tacos, burritos e outras coisas irreconhecíveis. Uma barraquinha grudada na outra, todo mundo cozinhando alguma coisa fedida e um povaréu ao redor comendo. E isso acaba irritando um pouco, pois as barracas ocupam praticamente todo o espaço das calçadas e muitas vezes temos que nos meter no meio dos carros para seguir caminhando. Eu me considero uma pessoa de gostos simples, porém sou um tanto nojentinha pra comer. E me dei mal, pois tudo é sim mega hiper blaster apimentado. A ponto de eu ter medo de provar qualquer coisa. E isso me brochou demais. Outra coisa importante de se dizer é que não há muita higiene nas tradicionais barracas de rua então é bom evitar. Mesmo evitando ao máximo peguei uma intoxicação leve, os locais chamam de Maldição de Montezuma e dizem que nenhum turista escapa. Deuzolivre… Super mega brochante!

Uma coisa curiosa que eu vi foram barracas que vendem saladas de frutas super vistosas, deu até vontade de comprar (mas e o medo da intoxicação?) e que oferecem uns 3 tipos de pimenta em pó pra misturar nas frutas antes de comer. Consegue imaginar mamão, melão e uva com pimenta? Nem eu… Minha irmã comprou no mercado um pacotinho de cenouras baby orgânicas e adivinhem o que veio junto? Um sachê com pimenta em pó! Concluindo, no quesito comida, que era o que eu tinha mais expectativas, me dei muito mal.

Assim como em qualquer cidade grande no estilo São Paulo, o povo nas ruas não é dos mais hospitaleiros. Todo mundo está na correria e não se preocupa em ser gentil. Mas nos pontos turísticos, nos comércios em geral, fui bem atendida, sempre que pedi informações recebi retorno, não tenho do que reclamar. Ficou realmente a impressão de uma cultura que precisa ainda evoluir sua cidadania, fazer mais e melhor para si mesmos. Mas super recomendo a experiência! Pena que não tive oportunidade de andar pelos povoados e ver a cultura tradicional mexicana. Fica pra próxima!

Férias – parte II

Chega ao fim minha aventura mexicana. Malas ainda pra arrumar (voltamos amanhã à noite), souvenires pra comprar, reta final. Jamile pede pra ir pa casa quase todo dia. Quinze dias é tempo demais pra alguém de 3 anos. E pede pra ver o papai também.

Essa segunda semana de férias teve ritmo mais tranquilo, o cansaço foi tão grande que desisti de alguns passeios. E essa cidade tem tanta coisa pra ver que eu ia acabar perdendo alguma coisa mesmo. Segunda-feira descansamos e à noitinha fomos ao cinema aqui perto da casa da minha irmã para ver Como treinar seu dragão 2, em espanhol, lógico. Foi o debut de Jamile no cinema! Ela não parou quieta um minuto, subia e descia da poltrona, queria dançar quando tinha alguma música, uma piada. Não me perguntem detalhes do filme… Em espanhol e tentando acalmar a cria, perdão, não foi possível captar detalhes. Vale registrar que fomos na rede Cinépolis, coisa de alto nível! Não sei se já tem algum cinema dessa rede em São Paulo ou outro lugar do Brasil. Em Curitiba está quase inaugurando. As poltronas são totalmente reclináveis, tipo “poltrona do papai”, manja? E você pode acionar um botão e pedir desde uma pipoca básica até sushi ou outra opção de comida sem sair do lugar, o garçom vem te servir, meu bem.

Na terça fomos ao Zoológico que fica dentro do Parque Chapultepec. Lá fomos nós duas sozinhas pela cidade. O parque é imenso, sem brincadeira nenhuma, seria possível passar um semana inteira visitando só o parque e as atrações que existem dentro dele: feira de artesanato, museus diversos, pedalinho no lago, parque de diversões, jardim botânico, o Castelo de Chapultepec… Mas eu só tive disposição pra ir ao zoo… Pontos interessantes: é gratuito, tem animais muito legais, é organizado, tem vários pontos de alimentação e banheiros espalhados. O banheiro é pago, 4 pesos por pessoa e tem uma catraca onde você coloca as moedinhas e ela libera sua passagem. Coisa que me surpreendeu foram os esquilos, aos montes, desde a entrada do parque e todos super acostumados com a presença humana. Na verdade eles são pequenos ladrõezinhos de comida, comem restos de dentro das latas de lixo e, nas praças de alimentação do zoo, viram uma atração à parte, pois invadem as mesas, um deles pulou no meu colo (!!!!!!) pedindo comida. Achei o fim da picada que o povo dá de tudo pros bichinhos, pão, batata frita, hamburguer… Eu dei uvas.

Na quarta-feira fui em algumas lojas de souvenires pra pesquisar preços. Visitei a La Europea dentro do shopping Plaza Carso que vende pães, embutidos, queijos e bebidas. Os preços não fogem muito de mercados e afins, ou seja, é acessível, e recebi um atendimento super bacana, uma mocinha me explicou a diferença entre as tequilas e quais seriam as de melhor qualidade. No Brasil a gente morre por uma José Cuervo, mas aqui ela é considerada meia-boca e custa uns R$ 40, é das mais baratas. A top é a Don Julio que tá saindo uns R$ 90. Fui num lugar chamado Costco, uma rede americana estilo Sam’s Club e foi onde eu encontrei o meu paraíso das compras!

Na quinta curti uma piscina com Jamile aproveitando um dos poucos dias que não choveu e hoje foi dia de curtir a família, pois meu sobrinho se formou em gastronomia pela Le Cordon Bleu. Ficou faltando visitar o Museu de Antropologia (chorei!), o Catelo Chapultepec e alguns outros pontos turísticos famosos. Assim é bom que na próxima vez já tenho um itinerário pronto!

 

Férias – parte I

E a nossa primeira semana de férias na Cidade do México chega ao fim. Estou adorando, mas confesso que ando homesick, ou seja, sentindo falta do meu canto, do meu amor, dos meus bichanos, da minha rotina.

Nessa primeira semana minha irmã trabalhou de casa e só fez o que era realmente necessário pra ter todo tempo possível comigo e Jamile. E passeamos, viu… E terminei a semana parecendo uma velha doente toda dolorida. Imagina a malhação que não foi pra rainha sedentária bater perna 5 dias seguidos carregando criança que pesa 15 quilos por aí. Bom, vamos aos fatos e dicas da viagem.

Foi sofriiiido chegar aqui. O voo saindo de SP para o México foi ótimo, direto, sem escalas, noturno, Jamile deitou e dormiu, não tenho do que reclamar (a não ser a maldita falta de espaço entre as poltronas que é algo desumano). Mas para chegar em SP, como viajamos com milhas, tivemos que ir muito mais cedo e ficamos nada mais, nada menos que 6 horas esperando no aeroporto. Seis horas com criança pequena. No aeroporto. Não recomendo, viu. Tive momentos em que quase larguei tudo e peguei o primeiro avião de volta pra casa.

O primeiro dia aqui foi dedicado ao descanso das guerreiras, ou seja, dormimos tudo o que podíamos e mais um pouco. Na segunda-feira exploramos os locais próximos para eu ir me habituando, entender os caminhos e poder me aventurar sozinha depois. Fizemos tudo a pé: visitamos o Aquário Inbursa, que eu achei sensacional! Ótima pedida para crianças e adultos. São 3 andares para baixo, subterrâneos, o visual é incrível, tem lojinha de souvenires cheia de coisas fofas e lanchonete. A entrada saiu 129 pesos (22 reais) e crianças até 3 anos não paga. Detalhe que ninguém pede documento pra comprovar a idade da Jamile, olham pra ela, veem que é criança e pronto, não precisa pagar. Depois fomos ao Plaza Carso, um shopping que funciona num grande centro comercial anexo a um edifício cheio de escritórios. O lugar é chique, hein. E fica do outro lado da rua saindo do aquário. Choveu horrores então passamos a tarde lá. Do ladinho do Plaza Carso fica o Museu Soumaya, um prédio lindíssimo, coisa de outro mundo e a entrada é gratuita! Tentamos fechar o dia visitando ese museu, mas eles exigiram que o Popó, bichinho de pelúcia inseparável da Jamile, ficasse no guarda-volumes e ela fez beicinho e cara de poucos amigos. Eu estava quase convencendo-a quando minha irmã se irritou com tamanha falta de flexibilidade do povo do museu e resolvemos ir embora e voltar outro dia.

Na 3a feira fizemos o circuito centro histórico, tudo de ônibus e a pé. Primeiro uma passadinha no Auditório Nacional, local onde vários artistas internacionais já fizeram show. Tudo aqui é grandioso, os prédios, esculturas mil, uma cidade com mania de grandeza realmente. Depois seguimos para o Zócalo, o centrão da cidade, onde está o palácio do governo, o palácio de belas artes (que é outro prédio lindíssimo), a catedral e a famosa rua Madero cheia de predinhos da época da colonização espanhola. Como passear com criança demanda outro ritmo, não deu pra entrar em todos os lugares, fizemos uma parada no Grand Hotel Ciudad de México que tem um restaurante fofo no terraço com vista para a Praça da Constituição, justamente onde ficam todos os principais prédios que eu citei. Ah, e tem uma bandeira do México imeeensa. E também tinha estrutura montada com telões pra galera acompanhar os jogos da copa. Em seguida fomos na Torre Latinoamericana, considerada a maior da cidade, com 42 andares. Fomos até o mirante onde você vê toda a cidade e passeamos pelo museu da torre e o museu bicentenário, ambos dentro do prédio.

Quarta-feira foi dedicada à Jamile. Visitamos o El Papalote, museo del niño. Trata-se de um parque de diversões interativo, praticamente todos os brinquedos podem ser tocados, emitem sons, experimentos, etc. Me lembrou um pouco a Estação Ciência que tinha em São Paulo quando eu era criança. Jamile curtiu, mas poucas atrações eram para a faixa etária dela, ficou a sensačao de que poderia ter curtido mais. Pegamos uma promoção por ser quarta-feira e dois adultos pagaram uma entrada de 129 pesos (22 reais) + 72 pesos (13 reais) para ver o planetário. Na verdade não era um planetário, era um “domo”, um cinema com teto abobadado onde um filme sobre as estrelas era projetado. Muito legal! Jamile ficou com um pouco de medo por causa dos sons altos e quando as projeções davam a impressão de se aproximar demais da plateia, mas disse que gostou!

Na 5a feira eu já estava imprestável, mas era dia de visitar a parte sul da cidade e o Museu Frida Kahlo! Se eu viesse pra cá e não fosse nesse museu em particular eu cortaria os pulsos! Amo a Frida, suas obras, a história da sua vida, tudo, tudo. Fomos de ônibus até o Auditório Nacional onde pegamos o Turibus, ônibus de turismo da cidade. Eles dividem os passeios em circuitos e existem pontos de baldeação, você desce e pega o outro circuito. Não sei quanto custou esse passeio, mas não foi dos mais baratos, uns R$ 50 por cabeça, exceto Jamile que não paga nada por aqui, adooooro. O bus tem diversas paradas e você pode descer em quantas quiser e depois subir no próximo turibus. Como estávamos à beira de uma estafa física, resolvemos ir direto para Coyoacán, bairro onde fica a Casa Azul, a casa que era dos pais da Frida e onde ela viveu com Diego Rivera e agora funciona o museu. Longe… Mais ou menos 1h30 pra chegar. A entrada custou 80 pesos (14 reais) sem permissão para fotografar as obras. Se você quiser fotografá-las tem que pagar um adicional de 60 pesos. Achei um abuso e fotografei só do lado de fora. Na volta rolou um pequeno estresse familiar e resolvi que o dia seguinte seria light, portanto na 6a feira ficamos boa parte do dia em casa, à tarde passamos num shopping aqui no bairro mesmo, a pé e de noite meu cunhado me levou a um restaurante para comer um típico burrito.

Pra fechar a semana fui acometida do que os locais chamam de Maldição de Montezuma, disfunção gastrointestinal que costuma derrubar todo turista. E isso que minha irmã é super cuidadosa e me fez passar longe de qualquer comida de rua ou excesso de condimentos. Passei três dias virada do avesso e ainda não estou completamente recuperada…