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A carta de referência

A escola de inglês me pediu uma carta de referência do meu último empregador. Putz, tudo o que eu menos queria era entrar em contato com eles. Afinal, minha saída não foi muito bem resolvida e eu não queria ninguém especulando o que ando fazendo da minha vidinha.

Para evitar contatos muito pessoais, mandei um email para a gerente de RH solicitando a gentileza. Alguns dias depois recebi o retorno de que a carta estava à minha disposição. Pedi mais um favor: que deixassem o envelope na recepção do prédio e não na recepção da empresa que fica no 3o andar. Pedi isso por dois motivos: primeiro, não queria de jeito nenhum correr o risco de encontrar algumas pessoas da minha antiga convivência e, segundo, é super ruim estacionar naquela região e eu provavelmente teria que parar em lugar proibido e sair correndo e rezando pra não ser multada.

Cheguei lá ontem e não tinha nenhum envelope na entrada do prédio. Ótimo. Liguei pra gerente (e eu queria evitar contatos pessoais), expliquei que estava numa situação que me impedia de subir e ela mandou a funcionária dela me levar a carta. Chegando em casa, vi no meu email a resposta que eles me deram quando eu pedi esse segundo favor: não costumamos deixar documentos na recepção do prédio, você terá que subir até o 3o andar para pegar a carta.

Logo de cara fiquei nervosa ao ler isso. Mais uma vez eu percebi aquele sentimento de superioridade que eu costumava ver por lá. O que custava deixar um envelope com as recepcionistas do prédio? Mas depois relaxei, ela teve que descer de qualquer forma e entregar a carta na minha mão. O castigo veio à cavalo, como dizem por aí.

E só na hora de entregar a carta para a escola é que eu percebi que ela tinha sido assinada pelo meu ex-chefe. Por motivos que eu já manifestei aqui, prefiro não comentar.

Por que será?

Hoje eu tô faladeira. Como dizia minha mãe, tô falando mais que a preta do leite. Mas é que dúvidas existenciais me assolam nesse período pré- virada de ano.

Por que tem gente que se diz sua amiga e não dá a mínima para o que você pensa ou fala? Eu não sou do tipo que chama todo mundo de “miga”, não e nem exijo a recíproca. Mas se o fulano cara de pau chega ao ponto de me chamar de amiga, tinha que no mínimo sentir isso de verdade, não acham?

Esse mundo tá perdido. E eu nem sei mais por que me incomodo…

Mais coisas que eu não entendo

Hoje passei na frente de uma loja especializada em tamanhos grandes. A fachada da loja estava cheia de banners com fotos  (adivinhem!) de pessoas magras! Tipo… é para que os clientes almejem ficar daquele jeito ou foi piada de mal gosto mesmo?

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Encontrei a síndica do meu prédio no pátio e aproveitei para reclamar das crianças que usam a rampa de acesso do lado da minha janela para brincar de skate. Todo santo dia. Ela então me olhou com toda tranquilidade do mundo e disse: mas o que é que vou fazer?

Se eu não tivesse ficado sem palavras, eu teria dito: bom, se você que é a síndica não sabe o que fazer, imagina eu. Já pensou se isso vira moda?

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Médico competente me manda fazer uma lista de exames que eu nunca ouvi falar na vida. Secretária do médico idem, pois ela demorou uns 15 minutos pra preencher as guias com os códigos corretos.

Ligo para o laboratório de sempre e tem um que eles não fazem pelo convênio. Ligo pro convênio e me informam que só tem um laboratório que faz. Ligo pro laboratório que faz e eles me dizem que preciso pedir liberação da guia pessoalmente no posto de atendimento do convênio.

Nhé! Lá vou eu no posto de atendimento com a p#$* da guia e a mocinha que me atende diz que falta o código do exame. Eu repito pra ela o que o laboratório e a secretária do médico me disseram: é um código só para os três procedimentos. Ela me olha desconfiada, pede licença, sai do guichê e vai conversar com a colega numa outra sala. Volta e diz que o convênio vai avaliar a solicitação e pede que eu ligue em 48 horas para ver se foi liberado ou não. E isso que é convênio particular.

Coisas que eu não entendo

Existem coisas que eu não consigo entender. Principalmente as reações de algumas pessoas. Eu estou tentando engravidar há mais de 3 anos. Comecei as tentativas na mesma época que uma amiga. Ela parou de tomar o anticoncepcional e no mês seguinte estava grávida e feliz. O tempo foi passando, o bebê dela nasceu e eu continuava tentando. O bebê dela completou 1 ano, depois 2 anos e eu ainda estava tentando. Aí comecei a desabafar com ela, falar das minhas angústias, de todas as medidas que a minha médica estava tomando e só ouvia o mesmo conselho: “relaxa, tem que deixar acontecer, não fica neurótica e nem procurando problema onde não existe, a hora que você relaxar vai acontecer.” Ok, tudo isso era muito bonito, mas em muitos casos as mulheres têm problemas físicos que as impedem de engravidar e se esse fosse o meu problema, não ia adiantar nada ficar “relaxando”. Eu podia relaxar por uma vida inteira que não ia dar certo. Ou seja, esse foi o conselho mais sem noção que eu já recebi na minha vida. E ouvir isso me deixava ainda mais nervosa porque dava uma impressão de que ela estava tão bem resolvida com a sua vidinha perfeita que não dava a devida atenção ao meu problema. O dia que eu contei para ela que a médica tinha pedido que o marido fizesse um espermograma, ela foi contra e mais uma vez disse “relaxa”. Todas as vezes que eu dizia que ia fazer um novo exame, ela dizia “relaxa”. Até que um dia a cunhada dela engravidou. Milagrosamente. A família toda sabia que a moça não podia ter filhos e estava beirando os 40 anos e de repente lá está ela, gravidíssima. Bom, essa notícia foi usada levianamente comigo. A minha amiga dizia: “tá vendo, quer exemplo melhor do que esse? Tem que dar tempo ao tempo, na hora certa ela engravidou e pensava que nunca poderia ter filhos. Com você vai ser igual!” Aquilo me corroeu por dentro. E quando eu procurei o especialista em fertilização e falei para ela que existia uma possibilidade de que eu tivesse endometriose e que seria preciso operar, pois esse podia ser o motivo pelo qual eu não conseguia engravidar, ela vira pra mim e diz: “Pois é, a minha cunhada operou disso e engravidou depois.” PQP! O que vc faz com uma pessoa dessas? Dá vontade de falar mil palavrões, dar uns tapas bem dados e depois sair de perto.

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Imposto de Renda. Taí uma coisa difícil de entender. Por que o governo “merece” receber imposto sobre o dinheiro que eu ganho honestamente vendendo a minha mão de obra? Já não basta o desconto do INSS, os impostos sobre cada produto industrializado que eu consumo, as taxas de juros que o banco me cobra ao financiar o meu apartamento e o meu carro, o imposto imbutido na minha conta de luz, de água e de telefone?

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Programas vespertinos cujo objetivo é “esclarecer casos de família”. Por que um profissional resolve colocar a sua cara num programa desse tipo? E, pior, se está na grade de programação é porque tem gente que assiste e se diverte vendo o povo brigar, se engalfinhar e escancarar a vida pessoal em rede nacional.

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Essa nova moda de camisetas com decote V para meninos. Pode ser que muita gente goste e ache até bonito de usar e de ver os rapazes usando, mas eu, particularmente, acho esquisito. Acho que camisetinha básica com decote V tem um quê de roupa feminina que não cai bem nos moçinhos. Pior ainda quando o decote é bem generoso e vai até o meio do peito deixando os pelos à mostra. Na minha opinião é de gosto duvidoso.

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Dinâmica de grupo.  Já participei de várias e só fui aprovada em uma. Qual é a lógica daquilo? Diz a lenda que as atividades são elaboradas com o objetivo de descobrir quem tem perfil de liderança, quem sobressai aos demais, quem tem o perfil desejado pela empresa. Ah, tá. Ok, agora entendi. E existe alguma maneira menos subjetiva de se perceber isso?

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Unhas decoradas com flores, folhas e figuras geométricas. Contratos de todos os tipos. As taxas e pacotes cobrados pelos bancos. Quem gosta do Jim Carey e de todas as caretas infames que ele já fez nessa vida. Quem não gosta de gatos, mas gosta de poodles. Quem paga para assistir besteirol americano e filmes-catástrofe no cinema. Intelectualismo barato. Gente que gosta do frio. E mais um milhão de outras coisas que eu não me lembro agora.