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O mundo é mesmo redondinho

O que me motivou a começar esse blog há alguns anos atrás foi um período barra pesada que eu passei. Eu estava tentando engravidar havia quase 3 anos e quando eu consegui, tive uma gravidez anembrionária, ou seja, o embrião não se formou e eu sofri um aborto natural com aproximadamente 7 semanas de “gestação”. Depois desse incidente, ao investigar o que poderia ter acontecido de errado, descobri que tinha endometriose de grau II para III. Na época eu trabalhava numa empresa cheia de pompa, tinha um cargo de gerência, salário simpático, benefícios muito simpáticos, meu superior era um cara com quem eu já tinha trabalhado antes (ele me levou pra essa empresa, quis que eu trabalhasse com ele outra vez), enfim, levava uma vidinha mais ou menos. Mais ou menos 2 semanas depois de ter perdido essa minha primeira gravidez, sob a alegação de que a empresa estava cortando custos, fui demitida. Dizem que desgraça pouca é bobagem, né.

Perdi o chão. Passei dois dias chorando até que uma boa alma que tinha sido minha colega de trabalho fez questão de me ligar contando alguns detalhes sórdidos sobre os reais motivos do meu desligamento. O meu superior, o cara que até então eu considerava um parceiro, não tinha sido homem o suficiente para defender a sua equipe numa briga de egos entre ele e outros diretores e a minha cabeça rolou. Bom, esse é o mundo corporativo, não é verdade. Estou careca de saber que emprego garantido só funcionário público tem. Mas foi muito foda passar por tudo isso ao mesmo tempo.

Fiquei 5 meses em casa reconstruindo a  minha auto-estima, procurando um caminho novo para seguir, fazendo terapia para não enlouquecer e foi aí que surgiu a ideia do blog. No início desse ano encontrei uma outra ex-colega dessa empresa pomposa que mal me disse oi e já foi contando que o ex-chefe sacana tinha sido demitido. Não vou posar de santa e dizer que não me deu uma pontadinha de satisfação. Não desejei mal a ele, mas desejei que ele, no mínimo,  passasse por um perrengue parecido com o meu. Ter sua vida suspensa assim, de uma hora pra outra, ficar no vácuo, sem saber pra onde correr.

Quem mora em Curitiba sabe do que eu estou falando. Essa cidade é um ovo, a gente sempre encontra alguém que sabe de alguma coisa sobre outro alguém. Eis que essa semana encontrei com outra pessoa que comentou comigo sobre o ex-chefe FDP. Ele tinha feito contato com ela, queria que ela o indicasse para dar aula em algumas universidades, mas ela não pode fazer nada, pois ele não tem mestrado.

Conclusão? Eu segui a minha vida, descobri novas aptidões, novos caminhos, fui feliz à minha maneira e superei de verdade aquele momento sombrio. Descobri que sou forte, mais do que eu imaginava. Tive rancor, guardei mágoa, sofri um bocado. Mas o tempo é o senhor de tudo e a vida continua, a gente vai mudando o foco e eu tenho muitas coisas mais importantes para pensar do que nessa pessoinha em questão. Por outro lado, o mundo é mesmo redondinho e as pessoas que de alguma forma levam suas vidas de maneira inconsequente, acabam pagando pela falta de dignidade.

Crise…

Caras, tem um milhão de coisas que eu não entendo. DR pelo Facebook é uma delas. Semana passada publiquei que estava muito feliz por ter passado uma noite muito boa com pessoas queridas. Era aniversário de uma das minhas melhores amigas e eu me diverti horrores.

Eis que outra pessoa do meu círculo de amizades postou um comentário sobre o que eu escrevi que soou como uma alfinetada. Em poucas palavras, deu a entender que na presença dela e dos amigos dela eu sou outra pessoa e fico dando sorrisos amarelos e forçados. O que não acontece com os meus amigos “de verdade”. Ou seja, ela não é minha amiga “de verdade”. Uhum, ok. E o kiko?

Se eu tivesse 15 anos ainda, talvez isso fizesse sentido. Mas eu tenho 31 e a pessoa em questão tem 40. Oi! Alguma coisa está errada, não acham?

Pessoas

Pessoas são esquisitas mesmo… lá no fundo da minha alma eu tento ser compreensiva com tudo o que acontece ao meu redor, tento entender que cada um tem uma moral, valores e visão de mundo diferentes e que só me resta ouvir e aceitar. Mas eu sou um ser humano imperfeito e geralmente não consigo!

Atualmente estou convivendo com uma pessoa no trabalho que me deixa passada e engomada. Ela tem um carro e o marido tem outro, mas toda vez que ela se refere a isso, ao invés de dizer “o carro do meu marido” ou “o meu carro”, ela fala as marcas de cada carro. Como se fizesse questão de mostrar exatamente qual é o carro que ela tem. Gente, na boua, é chato pra caramba, sem sentido e que diferença isso faz? Se pelo menos um deles fosse um carrão importado, mas nem isso…

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Já falei umas duzentas vezes, no mínimo, que não sou uma pessoa atlética, não gosto de fazer esportes, passo longe de academia. Exercício físico pra mim não é prazer, é remédio, ou seja, um mal necessário. Daí a pessoa QUASE todo dia me fala como ela adora jogar vôlei, lutar boxe, ir para a academia. Como foi legal na aula de boxe de ontem, como ela suou e como se sentiu bem. Galera, mais uma vez, que tipo de comentário euzinha farei sobre isso? No máximo eu resmungo um: ah, que bom pra vc… Fora os comentários do tipo: “cuidado, eu luto boxe” ou então “olha, se não fosse a academia, não sei o que seria de mim”. E eu pensando: “putz, se não fosse a minha cama, uma comida bem quentinha e o House na TV, eu não sei o que seria de mim”.

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Atitudes também me alertam  sobre as pessoas. Me incomoda demais perceber que alguém é preconceituoso, que cuida da vida dos outros e que tem valores meio suspeitos. A vida é bem mais que isso.