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Saudades

Hoje se completam 9 dias que marido está de férias viajando. E eu estou sentindo uma saudade tão grande…

Quando nós nos conhecemos, ambos vinhamos de relacionamentos complicados, cheios de ciúmes, sem compreensão, sem companheirismo. Uma das primeiras regras estabelecidas no nosso “contrato pessoal e intransferível” de casório é que nós não deixaríamos de ser dois, ou seja, era importante manter a nossa individualidade. É saudável ficar um pouco longe, ter atividades que cada um faz sozinho, o futebolzinho da semana só pra ele, o  boteco com as amigas só pra mim. Não me imagino vivendo de outra forma, construímos o nosso relacionamento sobre essa verdade e temos sido felizes assim.

E durante muito tempo não conseguimos bater as agendas das férias, outra coisa que não é assim uma coisa tão necessária para nós dois. Inclusive acho até gostoso ficar um pouco sozinha com os meus gatos e meus pensamentos, mudar a rotina, fugir do cotidiano. Teve um ano que a coisa foi até um pouco além, a coisa estava meio desgastada, a rotina consumindo comigo e com os meus sentimentos. Foi imperativo dar um tempo de 15 dias para renovar o nosso astral e o nosso romance. Quem nunca passou por um momento assim no casamento que atire a primeira pedra.

Mas dessa vez estou sentindo tudo diferente… Estou incomodada, não estou vendo muito sentido nas coisas do dia a dia, tá faltando alguma coisa. E fiquei surpresa com isso, pois desde o início sempre lidei muito bem com o afastamento do escolhido marido e dessa vez a coisa não tá fluindo não. É como se alguma coisa estivesse sempre faltando… Quando penso em sair, me dá uma sensação vazia de querer que ele estivesse comigo para fazer o que fazemos sempre, tomar café na padaria, sempre correndo, antes de ir pro trabalho,  resolver jantar fora e ficar um tempão discutindo em que lugar a gente vai pra terminar sempre no mesmo lugar: churrascaria.

Ter mais alguém que acha graça de tudo o que esses bichanos fazem, ver os programas toscos de TV juntos torcendo para alguém ficar no American Idol ou alguém sair do Top Chef…

Enfim, tô com uma saudade imensa do meu bichinho. Amore, volta logo!

Mais um ano de ausência

Oito anos é tempo suficiente para esquecermos algumas mágoas, para nos prepararmos para mudanças, para começar e terminar um relacionamento, mas não para esquecer o seu cheiro de mãe, a cor dos seus olhos, o tom da sua voz. A caravana não para, mãe… A caravana não para. Tanta coisa pra lembrar, tanta coisa para não me deixar esquecer: os sabores lá de casa, os temperos, os sons, os ditados de família. Só tem uma coisa que eu tento esquecer todos os dias e não consigo: aquele período em que você ficou doente e que as nossas vidas ficaram suspensas. Eu tinha medo até de respirar e ao mesmo tempo eu queria dormir e acordar daquele pesadelo como se tudo não passasse de um sonho ruim. Saudades, mãe. Saudades de ser filha novamente.

Saudades

Faz sete anos que vivemos sem a sua presença e hoje, mais do que nunca, sinto a falta do seu conselho, da sua voz e do seu abraço. Eu ainda choro, mãe, nas noites de insônia, durante o banho ou na frente da TV, escondida para que o marido não veja e me pergunte o porquê.

Eu tento imaginar como teria sido minha vida nesses sete anos se você não tivesse ido embora. Tenho certeza que muitas das minhas escolhas refletiram o fato de você não estar aqui. Não, mãe, você não tem culpa de nada. Você fez o melhor que pode e fez isso muito bem. Eu estou seguindo em frente, dia após dia, sendo forte, batalhadora, nem tão feliz quanto eu gostaria, nem tão bem-sucedida quanto eu acho que devo. Mas vou tocando a vida.

Quando você partiu eu perdi a vontade de muitas coisas. Eu achei que não teria sentido passar por certas coisas sem a sua presença. Recuperei algumas delas e mesmo assim, ainda acho que faltar alguma coisa. Eu me casei e você não me ajudou a montar a minha casa, você não me comprou potes de plástico, não bordou toalhas e panos de prato especialmente para mim. Quando comprei o meu primeiro carro não pude levar você para passear nele. E tantas outras coisas que aconteceram e que teria sido maravilhoso compartilhar com você.

Sinto falta de você, mãe. Sinto falta de ser filha. Hoje eu sou mulher, sou irmã, sou amiga, sou a moça do apartamento 1, mas não sei mais como é ser filha e como é ter alguém pra pedir conselhos ou simplesmente um abraço.

A sua partida deixou muitas marcas em mim. A maior delas é o medo. O medo de perder as pessoas amadas que estão aqui perto de mim e passar por tudo aquilo de novo. E, principalmente, a saudade e a certeza de que existe um buraco imenso aqui dentro que ainda não cicatrizou.